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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Meu pedaço de paraíso não é mais o mesmo

Olá, amigos!

Relutei um pouco em escrever esse post com medo de macular a ideia que sempre coloquei nesse blog sobre Conservatória. Para quem me lê e conhece os outros post sobre esse distrito de Valença, sabe o quanto amo aquele lugar, o quanto me sinto feliz ali e o quanto aquele pedacinho de céu se tornou, ao longo dos anos, meu pedaço particular de paraíso.


Voltei a ele no início desse ano. Menos de 3 meses depois da última vez. E como ele estava diferente! É um tanto difícil explicar, mas era a vibração da cidade que estava outra.
Chegamos no meio da tarde de sexta, como de costume. Deixamos as bolsas na pousada e fomos almoçar no "Dó, ré, mi" como de costume, porém, a cidade estava triste, deserta, estranha.
À noite, por volta as 21h, fomos até a casa da Cultura para assistirmos à seresta, porém, até 21h30 nenhum violeiro havia chegado. O Aílton, que é quem está, hoje em dia, à frente desse movimento da seresta, ligou para um violeiro que acabou indo até lá e animou um pouco a noite.
Às 23h lá estávamos nós na rua do meio, esperando a concentração para a saída da serenata. Alguns violeiros foram chegando e ela saiu, um tanto tímida. A medida que fomos andando, os bares e restaurantes do caminho, que antes paravam com suas músicas para a serenata passar, continuaram com elas, o que dificultou um pouco a passagem do grupo. Antes de meia noite a serenata já havia terminado (lembro de um tempo em que ela ia até as 2 da manhã!). Fomos a uma lanchonete nova que há perto da praça chamada "Tom Maior" para tomamos uma sopa antes de dormir.
Lanchonete Tom Maior
Dia seguinte, saímos pela manhã para visitar o "Túnel que chora" e notamos que toda a cidade está rodeada por tapumes de obras, o que a deixa mais feia e triste.
Na volta, o chorinho que acontecia na Vila Antiga passou a acontecer na praça Matriz, contudo, como a praça está em obras, ele acontece na rua em frente à praça. Ficamos para ver.
Á noite, voltamos à Casa da Cultura para uma nova seresta, achando que por ser sábado, teria mais gente na cidade. Qual não foi a nossa surpresa quando vimos que só nós estávamos lá? Nós e o Aílton. Só que dessa vez ele não ligou para ninguém e quando deu 21h50 saímos para dar uma volta. Na rua do meio estava acontecendo o "Serenoite", um movimento onde se toca samba, chorinho, modinhas e que já acontece há alguns anos. Ficamos lá para assistir, mas eu queria ver a seresta e depois de meia hora, voltei à casa da Cultura na tentativa de ver se estava acontecendo a seresta. Nada. Nem uma nota musical!
Voltei meio triste para a rua do meio. Foi a primeira vez em 15 anos que não vi a seresta acontecer.
Ás 23h15 a serenata saiu. Poucas pessoas, poucos violeiros. E pela primeira vez, em 15 anos, eles mudaram o itinerário da Serenata! Foram para o outro lado, onde não há bares nem lanchonetes com suas músicas a competir com a serenata. E a medida que íamos caminhando, mais e mais pessoas iam ficando pelo caminho. Chegamos na esquina com metade do público inicial, que já era pouco. Ali a serenata se despediu e terminou. Tudo tão triste, com um jeito de melancolia no ar.



Onde comemos no sábado à noite

Caldos e sopas do restaurante "Sonatas de amor"
No domingo, as 10h30, na rua do meio, acontece a "Solarata", que era sempre apresentada pelo Aínton, mas acho que ele estava tão triste de não ter acontecido seresta no dia anterior que nem apareceu. Resultado: tivemos outra apresentadora e pouca gente para tocar e cantar. Foi bom, porque é muito difícil algum evento musical ser ruim por lá, mas para quem já viveu tantas Solaratas animadas antes, essa estava bem tristinha.

Aos poucos meu pequeno pedaço de paraíso vai se acabando e acho que, apesar dos 135 anos de tradição de serenata que existe em Conservatória, esse movimento está se perdendo, definhando...isso dói fundo na minha alma. E por isso digo a todos que ainda pretendem conhecer Conservatória: Vão logo, enquanto ainda há música no violão dos seresteiros e enquanto ela ainda conserva um pouco daquela magia de outrora, porque a Conservatória pela qual eu perdi meu coração há 15 anos não é mais a mesma e a tendência, infelizmente, é que ela vá se acabando.

Até a próxima!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

"Conservatória, onde eu perdi meu coração"

Olá, amigos!


Acabei de voltar de mais uma viagem à Conservatória, o meu paraíso particular! Eu já conheci muitas cidades mundo afora, mas é ali, naquele distrito de Valença onde eu me sinto mais feliz! Por mais que eu ame Paris ou Veneza, por mais que a Europa seja uma grande paixão, meu coração cai mesmo de amores é por aquele pedacinho de céu chamado Conservatória, com suas ruas de calçamento pé de moleque, com sua seresta toda sexta e sábado e principalmente, com sua serenata, que me transporta a lugares onde nunca estive, a tempos que nunca vivi, mas que estão ali marcados como tatuagem naquelas canções.
Todas as vezes que retorno à Conservatória ( e aí já se vão talvez umas 15 vezes), eu tenho a mesma sensação de paz, de bem-estar e de alegria. Volto de lá com a sensação de que todos os meus problemas estão, magicamente, resolvidos e de que o mundo ainda vale a pena!
É um manancial onde vou beber um pouco de boa energia e me recarregar até o ano seguinte. É quase um vício! No ano que eu não volto, parece que fica faltando algo.  Parece que me falta um passado.

Voltei a Conservatória depois de quase 2 anos, já sufocada de realidade. Eu necessitava daquela magia, daquele luar, daquela melodia, daquelas vozes cantando quase como cantigas de ninar e embalando meu sono e meu despertar. Eu precisava daquele remanso para poder voltar a ser eu com mais capacidade, para poder ser uma eu mais calma e melhor, com mais crença nas pessoas.

Esse ano voltamos a nos hospedar na Pousada Jara, na praça matriz. Gostei de ter ficado lá da última vez e resolvi repetir a dose.
Dessa vez, resolvemos conhecer a "Cachoeira da índia", um lugar pitoresco onde há a estátua de uma índia em homenagem aos primeiros nativos da região que pertenciam à tribo Arari. Não à toa, o antigo nome do distrito era Conservatória dos Índios. A cachoeira fica mais ou menos a uns 2km do centro, um pouco antes de se chegar à estrada que leva a Valença. Fácil de chegar a pé para quem gosta de andar.

Cachoeira da Índia

Também fomos mais uma vez ao "túnel que chora", o túnel por onde passava a antiga Maria Fumaça e que foi escavado próximo a uma nascente, daí vem a água que verte por suas paredes. José Borges, o grande seresteiro homenageado na estátua da rua do meio da cidade, fez uma linda música chamada "rua das flores" que conta a história do túnel e do trem ( Colocarei a letra no fim desse post).

o Túnel que chora

Estátua em homenagem a José Borges

Embora o movimento da seresta/serenata em Conservatória esteja bem diferente do que já foi há alguns anos, pois perdemos o Museu da Seresta e, infelizmente, alguns frequentadores mais jovens não têm o respeito de outrora em que a cidade toda parava para ouvir aquelas músicas, ainda é gostoso passar as noites cantando antigas canções de amor. Infelizmente, um dos mais célebres cantores da região faleceu ano passado. Mario Caldas agora está cantando lá no céu e nos deixou um tanto órfãos ao  ouvirmos "Cavalgada" durante a serenata que era uma das músicas que se tornou sua marca.
 
Seresta na Casa da Cultura

Serenata ao Luar

A cidade está mais turística, um pouco mais comercial porém ainda conserva seu encanto, seu brilho que está presente, especialmente, nos olhos dos antigos seresteiros que fazem dali seu pedacinho de céu.


Placa na casa da Cultura

Poemas espalhados pelas fachadas das ruas

Foi bom poder voltar esse ano, justamente quando estou tendo mais contato com a literatura depois de tantos anos. Conservatória é a literatura em forma de música! É realmente meu porto seguro nesse mundo e espero poder voltar sempre para sorver um pouco mais de uma eu que eu nem sabia que existia.  Volto mais feliz, mais tranquila e certa de que há um pequeno lugar entre o tempo e o espaço onde uma simples canção ou poema faz transbordar de sentimentos todo o coração.

Rua das Flores (José Borges)

Moramos na rua das Flores
No bairro da Felicidade
À rua do túnel tristonho
caminho que vai pra saudade.

Vem à lembrança
o velho trenzinho apitando
tristeza dos olhos molhados
adeus de lenço acenando

Quantas mulheres
partiram de trem soluçando
Dizem que é de saudade
que o túnel vive chorando.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Uma viagem no tempo!

Olá, amigos!

Já postei algumas vezes nesse blog sobre Conservatória, um distrito do município de Valença onde todas as sextas e sábados à noite acontece uma serenata pelas ruas. Amo esse lugar! É certamente meu pedaço de paraíso e no último fim de semana, após 2 anos de muita complicação amorosa, finalmente voltei ao meu porto seguro! Voltei ao único lugar no mundo capaz de recarregar minhas energias e levar embora todos os meus problemas! Como eu amo aquelas ruas de pedra, aquela paisagem bucólica, aquela cidadezinha minúscula que até bem pouco tempo nem agência de banco tinha!


Dessa vez fui em família, além de levar também uma amiga para conhecer esse paraíso. Foi um fim de semana maravilhoso! Chegamos sexta, de ônibus. Ficamos na Pousada Jara, bem em frente à praça Matriz, aliás, foi a primeira vez em 11 anos que mudei de pousada! E não me arrependi! Essa também é excelente. Embora a Pousada Martinez tenha um delicioso chorinho cantado pelo Ronaldinho do Cavaquinho, ao vivo, no café da manhã, a Pousada Jara me surpreendeu pelo tamanho dos quartos e pelo maravilhoso café da manhã e lanche da tarde.

Sexta-feira à noite choveu. Mas isso não nos impediu de ir à Casa da Cultura encontrar os seresteiros e vivenciar momentos de muita felicidade ao som de belas canções. Foi uma seresta bem intimista, com várias pessoas de fora da cidade cantando. Gostei muito! E embora não tenha havido serenata, o dia foi extremamente agradável!


Sábado amanheceu um lindo sol! Não aconteceu a tradicional música na galeria da vila antiga pois as chuvas que afetaram o estado do Rio de Janeiro impediram que os seresteiros de Campos viessem. Ainda assim o dia foi gostoso. Passamos na "Casa do Poeta" onde o Moa nos recitou poemas emocionados e emociantes. Esse é um cantinho especial em Conservatória, lugar que todo visitante deve ir sem pressa, só para saborear as belas declamações do Moa. É lindo ver alguém que ama tanto a poesia e a recita de forma tão linda! Sem passar na "Casa do Poeta" uma visita à Conservatória não é completa!
E São Pedro resolveu mandar a chuva mais cedo. Resultado: na hora da seresta não tinha mais chuva! Fomos novamente à Casa da Cultura que estava lotada e cantamos, cantamos, cantamos...espantando todos os males possíveis!
Às 23h, hora de nos reunirmos em frente ao ex-museu da seresta e sairmos em serenata! Linda! Repleta de pessoas que nunca tinham estado em Conservatória e de pessoas habituadas ao lugar. Todas cantando em uma só voz. Lindo demais! E para nos brindar estavam lá o famoso seresteiro Mário Caldas, que canta "Cavalgada", de Roberto Carlos, como ninguém! Adoro aquela voz e adoro mais ainda ver o amor dele e da esposa. Como é lindo ver pessoas que se amam de verdade e há tanto tempo! Aliás, sempre que volto à Conservatória eu lembro que o amor existe e que é possível! Toda a minha desesperança se vai, dando lugar à crença de que se pode sim ser feliz no amor!
Durante a serenata, a lua cheia linda estava nos observando lá do alto! Foi tão maravilhoso! Aliás, fazia tempo que eu não me sentia tão bem, tão leve, tão feliz!


Conservatória tem esse dom: toda vez que eu vou lá, volto melhor!  E sei que não sou apenas eu. Na verdade, Conservatória tem uma magia que o visitante tem que vivenciar, sem isso, não é possível se apaixonar pela cidade. E uma vez se apaixonando, a gente quer voltar sempre e sempre! É como uma viagem no tempo! Um lugar perdido entre o passado e o presente, um momento de encanto que dura um fim de semana mas que permanece indelével na memória!


Após a "solarata", que acontece aos domingos 10h30, voltamos para o Rio cantarolando no ônibus aquelas músicas dos compositores locais que só aprende quem frequenta Conservatória, quem se apaixona por Conservatória e quem faz de Conservatória seu pedacinho de céu!

Até Breve!

VIAGEM REALIZADA EM JANEIRO DE 2012

sábado, 27 de março de 2010

Conservatória, meu amor

Olá, amigos!

Sei que ando meio sumida e não posto há algum tempo, mas andei meio sem vontade de escrever depois do término da minha última relação amorosa (?)...enfim, passada a tempestade, veio a bonança! E veio em forma de viagem!
Resolvi comemorar meu aniversário em um dos lugares que mais amo: Conservatória!
Ganhei a viagem de presente e no dia 5 de março, sexta-feira, embarcamos eu, minha mãe e minha tia rumo aquele pedacinho do céu!

Essa viagem foi diferente de todas as outras que eu já fizera antes (acho que já fui umas 10 vezes a Conservatória) pois dessa vez eu estava sem carro! E fomos até lá de ônibus! Eu descobri que existe um ônibus direto que sai da Rodoviária Novo Rio, mas ele só sai às 20h15 de sexta-feira (é o único horário!!) e como eu não queria perder a seresta e a serenata de sexta à noite, tive que arrumar outro jeito de ir pra lá.
Pesquisei, pesquisei (viva a internet!) e descobri que a Viação Normandy nos levaria até Barra do Paraí e, de lá, pegaríamos outro ônibus até Conservatória. Pois bem. O processo foi simples:
Chegamos na Rodoviária na sexta de manhã e compramos a passagem para Barra do Piraí por R$ 34,00. Aproveitamos e já compramos a volta também! Há um ônibus direto de Conservatória para o Rio que sai aos domingos às 16h. Esse custou R$ 30,00.

A viagem até Barra do Piraí demorou umas 2h30, com direito a uma paradinha de 10 minutos em Piraí (cuidado pra não descer no lugar errado! A primeira parada é em Piraí e não em Barra! E é apenas para desembarque). Ao chegarmos no nosso destino, atravessamos a pequena rodoviária e compramos o bilhete para Conservatória pela Viação Barra do Piraí ( o nome é pomposo, mas é um ônibusinho bem comum. Quem tem passagem comprada, entra pela porta da frente, mostra a passagem ao motorista e senta no lugar marcado, quem não tem a passagem e vai pagar direto com o trocador, entra pela porta de trás) e esperamos que ele conseguisse atravessar o trânsito caótico da cidade (é incrível como certas cidades pequenas têm tráfego de cidade grande!) e nos acomodamos, pois a viagem demoraria mais 1h.
Enfim, chegamos a pequena rodoviária de Conservatória, que não mudou nada (que bom!) e que fica quase em frente ao local onde sempre nos hospedamos: A Pousada Martinez.
Só em respirar o ar de Conservatória parece que os pulmões já percebem que há algo diferente; a oxigenação do cérebro melhora e, incrivelmente, os problemas do dia a dia somem, como num passe de mágica!
Passeamos pela praça da cidade, pela rua que vem e pela rua que vai (já mencionei nesse blog que Conservatória só tem duas ruas, né?), fomos à belíssima Casa do Poeta, onde o Moa continua nos recebendo com o carinho de sempre e seus lindos versos! Passeamos, passeamos, passeamos e descobrimos, com alguma tristeza, que o Museu da Seresta foi fechado pela defesa civil. Agora os seresteiros se encontram na Casa da Cultura, que fica perto da Igreja, ao lado do cine-teatro e da escola Estadual. A seresta daquela sexta estava lotada, mas São Pedro não estava de muito bom humor, pois chovia a cântaros lá fora! Na hora de sair para a serenata (23h) os seresteiros foram e até tentaram sair cantando pela cidade, como costumam fazer, mas debaixo de chuva ficava impraticável!
Voltamos para a pousada com a sensação de que, interditando o Museu da Seresta, o movimento ficou meio órfão. Parece que nem todos os seresteiros aderiram à ideia de cantar na casa da Cultura...sentimos falta de algumas figuras ilustres de Conservatória, mas tínhamos a esperança de que no sábado tudo voltaria ao normal...
Acordamos cedo e fomos tomar café da manhã esperando encontrar o que sempre encontramos: música! Qual não foi a nossa surpresa quando descobrimos que naquela manhã não tinha nem o Ronaldinho do Cavaquinho, nem o Pedro Quinane e nem o Dehon alegrando nossa manhã...
É, Conservatória parecia sutilmente diferente das outras vezes...e eu começava a me incomodar com isso, afinal, ali é o meu paraíso!
Saímos para umas comprinhas e um passeio pela cidade. As mesmas lojas, a mesma hospitalidade, música pelas esquinas...É, parece que nem tudo está tão diferente assim. Ainda há uma esperança!
Resolvemos conhecer a tal Casa da Cultura, afinal, ela tem um acervo e não é só ponto de encontro dos seresteiros.
Há belas esculturas...


...um quadro dos irmãos José Borges e Joubert...

...aparelhos de som bem antigos...
...até um fuso, igual ao da Bela Adormecida...

Fomos para a pousada descansar e eu acordei com o barulho da chuva lá fora...o céu caia em forma de água! Chovia muito e, naquele momento, tive a sensação de que a serenata daquela noite estava definitivamente cancelada. Mas como somos brasileiras (e não desistimos nunca!), nos encaminhamos à casa da Cultura, quando a chuva deu uma trégua.
Só tínhamos nós! Durante mais de 30 minutos ficamos lá, só nós, e um casal de senhores cujo marido canta na seresta. Só lá pelas 21h15 as pessoas foram chegando timidamente...e lá pelas 22h o local estava cheio e a seresta aconteceu lindamente! Mais linda ainda porque descobrimos que há um novo movimento na cidade que ensina os jovens a tocar alguns instrumentos para que a serenata não morra! Achei lindo! Meninos muito jovenzinhos, com uns 12 a 14 anos, já conhecendo música boa e tocando lindamente! Dava gosto de ver!


Lá pelas 23h São Pedro deu uma trégua e saímos em serenata! Foi tão bonito! Como eu gosto de estar lá! Como aquele lugar me faz bem! Cantamos durante quase duas horas! Depois dormimos leves e felizes! No dia seguinte, surpresa! Tinha música no café da manhã! Estavam lá o Ronaldinho do Cavaquinho e o Dehon! Foi ótimo! Apesar de eu já conhecer as histórias deles há anos, adoro ouvi-los pela manhã. Faz bem pra alma!
Depois, saímos para a Solarata, um movimento um pouco diferente da serenata, não apenas pelo horário, mas pelo tipo de música que é tocado. Na solarata vale todo tipo de música (boa, que fique claro!) desde Vicente Celestino até Zeca Pagodinho! Foi divertido!
Almoçamos no Dó, Ré, Mi um escondidinho de aipim com carne seca que era dos deuses! Melhor só o da minha tia!
Fizemos check-out na pousada e pegamos o ônibus ali em frente as 16h. Três horas depois estávamos na Rodoviária Novo Rio.
Vivi um Fim de semana maravilhoso, em um lugar maravilhoso, com pessoas maravilhosas! E percebi como é simples ser feliz! Por que o ser humano complica tanto?

Até breve!

VIAGEM REALIZADA EM MARÇO DE 2010

Em tempo: Voltei a Conservatória em 2013 e a não é mais a viação Normandy e sim a viação Útil que faz o trajeto até lá. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Poema

Saudações!
Aqui vai o poema prometido sobre a Velha 206, a Maria Fumaça que deixou de operar em Conservatória, mas que virou ponto turístico obrigatório da região. Conta a história que no século passado, quando ela ainda operava, levando o café da região, seu trajeto era através do túnel do distrito, que foi construído exatamente para que ela pudesse passar. Esse túnel é muito especial, pois fica próximo a uma nascente e verte água por suas paredes. Ao parar de funcionar, a Maria Fumaça levou consigo o último sopro de passado, mas os românticos seresteiros do lugar não perderam tempo e viram naquelas águas do túnel uma linda metáfora: é como se ele estivesse chorando de saudade de sua companheira 206.
José Borges imortalizou isso em sua canção "Rua das Flores" e o Moa, um poeta que tem uma das lojas mais lindas do distrito fez esse belo poema que segue:

Uma Lenda

Velha 206
quem te vê assim, parada
nem de longe há de supor
que tens um belo segredo,
humildemente guardado,
em nome do Grande Amor.

Velha 206,
quem vem a Conservatória
não sabe o quanto te deve.
Não sabe que, alta noite,
quando a cidade adormece
tu te pões a trabalhar.
Um anjo - bom maquinista! -
atrela em ti os vagões
que tu aguentas puxar.

E neles , com alegria,
anjinhos carregadores
põem cargas de problemas
vividos no dia-a-dia.
São mentiras, são verdades,
são sonhos, são frustrações,
são versos soltos, quebrados,
são pedaços de canções...

Velha 206,
quando o chefe da estação -
outro anjo, com certeza -
dá o sinal de partida,
é tua vez de cantar:

"Bota fogo, anjo foguista,
solta o freio, maquinista,
que pro céu eu vou levar
essa carga tão pesada,
essa carga tão pesada,
essa carga tão pesada,
logo, logo, eu vou chegar!"

Velha 206,
ao deixar Conservatória
quando o visitante volta,
mais leve, de "alma lavada",
para a casa aonde mora,
não se dá conta, talvez,
do encanto de tua história.

Velha 206,
quem me contou teu segredo
foi o Túnel da cidade,
teu velho amigo de outrora,
que de ti sente saudade...
e que, de saudade, chora.

(Moacyr Sacramento, o Moa)

Essa foi a melhor descrição da sensação que se tem ao deixar Conservatória...a gente sai de lá realmente mais leve, mais feliz e tem mesmo a impressão de que nossos problemas foram levados a outro lugar...só indo lá pra sentir isso! Mas tenho certeza de que você, que ainda não foi, ao regressar de sua primeira viagem e reler esse poema vai ter essa exata sensação!

O Moa tem uma loja numa das ruas principais (a rua que vai) chamada "Casa do Poeta" onde você pode encontrar poesia e arte misturadas! São telas ou cartões com poemas escritos. Vão desde um poema como esse aí de cima até quadrinhas singelas, perfeitas para dar de presente a quem se ama. Os assuntos dos poemas são variados e cabem bem em qualquer situação. Pra quem não quer nada escrito, há também a opção apenas das pinturas que são muito bonitas. A loja aceita cartão de crédito, aliás, é uma das poucas em Conservatória que aceita, mas os preços não são salgados. São justos, pois você estará adquirindo não apenas uma obra de arte (tanto de pintura quanto de literatura), mas estará levando consigo um pedaço de Conservatória.

A bientôt!

sábado, 2 de agosto de 2008

Despedida dos seresteiros

video
Saudações!

Esse vídeo é da música que os seresteiros cantam para se despedir tanto na seresta quanto na serenata...toda vez que eu escuto dá um gostinho de saudade!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Continuando a narração do meu fim de semana em Conservatória

Saudações!!

Acordamos cedo no sábado, afinal, não queríamos perder o show de chorinho que sempre acontece no café da manhã na Pousada Martinez. Mas dessa vez tivemos uma agradável surpresa: além do Ronaldinho do cavaquinho, figura já conhecida naquela pousada, fomos brindados também com a presença de Pedro Quinane, um seresteiro que frequenta Conservatória há 46 anos. Ele foi nos encantar com sua música e com suas histórias sobre a região. Foi um café da manhã bem gostoso...depois tirei foto com ele e comprei o DVD que ele vende com a história de Conservatória.
Após o lauto café, resolvemos gastar as calorias adquiridas andando pelas (duas) ruas da cidade e fomos dar um passeio. Aproveitei para registrar nossos passos: Primeiro passamos pela antiga ferroviária, ao lado há um banco com um trecho de uma música bem conhecida.

Depois passamos pela velha 206, a Maria Fumaça aposentada que passava pelo túnel que chora e que rendeu um lindíssimo poema de Moacir Sacramento, o Moa, poeta da região que tem uma das mais bonitas lojas da cidade: a "Casa do Poeta". Depois eu posto o poema na íntegra.


Passamos novamente em frente ao Museu da Seresta e, dessa vez, este quadro estava pendurado, contando um pouco do que acontece nas noites de sexta e sábado em Conservatória.



Depois fomos seguindo para as melhores atrações do lugar: os Museus de artistas antigos. Vicente Celestino,que ficou imortalizado com a canção "O ébrio" tem um museu só pra ele.


Alguns outros artistas dividem esse outro museu.


Algumas das placas colocadas nas casas pelo movimento "Em toda casa, uma canção" agora tem a letra também.



Numa das praças da cidade mais camisas com trechos de canções de amor. Tirei essa foto porque "Eu sei que vou te amar" é umas das minhas músicas preferidas!


Lá pelo fim da tarde, fomos comer uns pastéis nesse restaurante. Tinha música ao vivo, como 99% dos restaurantes de Conservatória e não cobrava couvert artístico. Com música, eu garanto, os pastéis têm outro sabor!


À noite, antes da serenata, que é a cantoria ao sereno (daí vem o nome), há música por todo canto onde se vá...é lindo!



Antes do povo sair pelas ruas com seus violões, há um encontro no Museu da Seresta.
Na noite de sábado houve serenata. Não choveu. Pelo contrário! O céu estava lindo e estrelado e ficamos até 01:00 da manhã cantando pelas ruas da cidade. Foi muito lindo, como sempre é. Algumas janelas piscaram suas luzes mostrando que estavam gostando da cantoria, algumas moças surgiram na janela dando a impressão de que estávamos em uma novela de época.
É incrível como eu sempre tenho a sensação de estar vivendo aquilo pela primeira vez. Já fui a Conservatória nove vezes, mas é permanente o sentimento de se estar vivendo algo novo e diferente. É um pouco difícil de explicar, só vivendo mesmo.
Lá é o lugar para onde vou quando quero recarregar minhas energias e, de repente, naquela noite enluarada, ouvindo aquelas canções de amor, todos os problemas parecem tão distantes! A vida fica tão simples! E mais uma vez eu fui dormir leve e com a sensação de que o mundo tem jeito e de que podemos ser felizes.
A bientôt!

VIAGEM REALIZADA EM JULHO DE 2008

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Ainda existem serenatas para a lua

Saudações!
A viagem a Conservatória foi tudo de bom!!!! Tudo começou na sexta-feira pela manhã quando saímos da casa da minha mãe, passamos pra pegar minha tia e pé na estrada! Fui seguindo meu mapinha de referências particular ( um pedaço de papel que guardo no porta-luvas com as indicações de como ir a certos lugares) que funciona melhor que GPS e tivemos uma viagem tranquila até Barra do Piraí. Lá dentro da cidade, me perdi um pouco, pra variar. Não que meu mapinha estivesse errado, eu é que sou desconectada mesmo...enfim, conseguimos chegar! O dia estava lindo! Nos instalamos no quarto da "Pousada Martinez", deixamos a bagagem e saímos a pé para almoçar...




... no restaurante "Dó, ré, mi", um dos melhores e mais concorridos do local.




"Barriga cheia, mão lavada, pé na estrada". Findo o almoço, fomos passear pelo distrito e rever as lojinhas de artesanato típico...



...as camisetas com letras de músicas...


...a praça que agora tem uma árvore genealógica onde figuram todas as pessoas ilustres de Conservatória que, de alguma forma, contribuíram ou contribuem para que Conservatória seja conhecida como a "Capital da serenata"...


À noite, fomos ao museu da seresta que hoje é conhecido como "Espaço José Borges", em homenagem a um dos irmãos que perpetuaram o movimento das serenatas pelas ruas da cidade. Seu irmão, Joubert de Freitas ainda está vivo, tem 86 anos e participa quinzenalmente das serenatas. Pena que não fomos no fim de semana em que ele estava presente...essa aí é a estátua que fizeram de José Borges, a quem eu tive a sorte de conhecer em vida, no ano 2000.


Infelizmente, sexta à noite, não teve serenata pois choveu e os violões não podem ficar molhados, por isso voltamos cedo para a pousada (por volta de 23:30) e quando chegamos lá: surpresa! Havia uma seresta!! É que um grupo de umas 40 pessoas em excursão havia se hospedado lá à tarde e, como não houve serenata e eles estavam com seus instrumentos, resolveram animar um pouco a noite cantando lá na sala de TV da pousada! Foi ótimo! O mais incrível dessa noite foi que lá pela 01:00 da manhã um seresteiro chamado Pedro Quinane pediu licença, foi com seu violão para a beira da piscina e fez uma serenata para lua!!! LINDO!!! Pena que eu não estava com a máquina para registrar esse momento tão romântico. Quando a gente pensa que Conservatória não pode mais nos surpreender...pimba! Algo inusitado acontece!
Fui dormir leve, leve, embalada por todas aquelas belas cantigas de amor...
A bientôt!

VIAGEM REALIZADA EM JULHO DE 2008


quinta-feira, 3 de julho de 2008

Uma cidade mágica


Saudações!

Conservatória é o tipo de lugar que você vai a primeira vez por curiosidade e depois nunca mais consegue deixar de ir! Talvez pela sua aura de cidade do interior, talvez pela hospitalidade das pessoas ou ainda porque lá é possível esquecer qualquer problema ou estresse vividos no dia a dia das grandes cidades (cabe dizer que o distrito é a prova da veracidade do provérbio : "quem canta seus males espanta").

A primeira vez que estive lá foi no inverno de 2000. Eu e meu, então, marido tínhamos recebido várias indicações de parentes e amigos sobre o local. Pulsava em nós aquela curiosidade quase juvenil de ver como seria uma cidade em que ainda existiam serenatas ao luar e onde a maioria da população já estava na terceira idade e era até mais ativa que nós. Fomos sem pousada reservada, assim, com a cara, a coragem e a crença de que não seria difícil arranjar lugar para pernoitar. Ledo engano! (Aqui vai um conselho: reserve antes uma pousada, pois hoje em dia, você pode não ter a mesma sorte que eu tive há 8 anos atrás)

Chegamos numa sexta-feira no horário do almoço, demos uma volta pela cidade (aqui leia-se: percorremos as duas ruas, uma que vai e outra que volta) e escolhemos o simpático restaurante "Dó, Ré, Mi" para saciar nossa fome. Uma comida deliciosa! E uma calma e simpatia no atendimento que só é possível em locais em que "pressa" é apenas uma palavra no dicionário.
Devidamente alimentados fomos procurar um local onde pudéssemos deixar nossas malas (na verdade era apenas uma) e descansar um pouco antes da grande atração noturna da cidade.
Entramos em várias pousadas para perguntar se havia vaga. Nenhuma! Estávamos a ponto de chorar por ter de voltar para casa sem pouso quando alguém nos indicou uma pousada "um pouco mais longe". Esse "longe" era no máximo uns 300, 400 metros do centro. Lá fomos nós ao encontro daquela que acabaria por se tornar minha casa em Conservatória: a "Pousada Martinez". Um local simples, mas de ambiente extremamente acolhedor! O nome da pousada vem de seu dono, Sebastião Martinez, que não só administra como também mora na pousada. Ele e sua família. Provavelmente é isso que traz o tom tão aconchegante do lugar, é como se estivéssemos mesmo morando com aquela família!
O quarto é bem simples, com uma cama de casal, um frigobar que pode ser abastecido pelo próprio hóspede, uma TV que pega 3 ou 4 canais ( pra que mais? Se eu quisesse ver TV teria ficado em casa, não acha?) e um banheiro limpo com um chuveiro bem quente!

Hoje em dia, passados 8 anos, a pousada mudou um pouco, fez algumas reformas e conta com piscina, uma grande sala de TV e um espaçoso refeitório para o delicioso café da manhã acompanhado de um músico que toca chorinho para o deleite matutino dos hóspedes, mas disso eu falarei em outro post.

Após preenchermos a ficha de entrada e deixarmos a bagagem no quarto, fomos novamente para a cidade dar uma volta. Existem diversas lojas de artesanato, quase uma ao lado da outra! Muitas parecem casas e às vezes você tem a sensação de estar invadindo propriedade privada ao entrar em alguma lojinha (uma vez, porém, invadimos mesmo! A casinha era tão bem decorada que quando nos demos conta a dona estava sorrindo, quase nos oferecendo um café e explicando que nada daquilo estava a venda, que era a decoração dela mesmo! rs).
As lojas vendem, basicamente, objetos para turistas, desde cachecóis para cantar na fria madrugada sem danificar as cordas vocais até delicadas violas feitas em madeira para serem usadas como porta-chaves. Isso, claro, sem falar nas inúmeras camisetas com aqueles dizeres clássicos "Estive em Conservatória e lembrei de você". O diferencial dessas camisetas é que algumas, em vez dessa frase tão batida, colocam trechos de canções de serestas que foram ou serão ouvidas durante a serenata. É um mimo especial e, em geral, barato.
Há também, quase chegando à uma das praças, uma loja que vende CDs. Essa sim vale a pena olhar com calma, principalmente se você gosta de músicas antigas! Há CDs que você dificilmente encontrará em outro lugar. Cantores como Nélson Gonçalves, Sílvio Caldas, Vicente Celestino, Francisco Alves, Cauby Peixoto, só para citar alguns... é uma delícia ficar garimpando novidades (?) que raramente seriam encontradas por essas bandas, nem mesmo pela internet!

Após esse breve passeio, voltamos à pousada para tomar banho e descansar um pouco até umas 21:30 que é o horário ideal para se retornar ao centro, pois dá tempo de fazer um lanche rápido (lembre-se de que o tempo lá tem uma conotação diferente, portanto "rápido" significa por volta de uma hora) e ir até o "Museu da Seresta" observar o início da cantoria que foi o motivo que nos levara até lá.
Quando chegamos naquele mês frio de julho de 2000 éramos quase que os único jovens do lugar ( e olha que já tínhamos quase 30 anos!) e ficamos meio acanhados ali, do lado de fora do museu, ouvindo as músicas e vendo, através de suas janelas, o interior repleto de livros e capas de discos penduradas nas paredes.
Foi então que um senhor muito simpático, chamado José Borges, viu nossa cara de "marinheiros de primeira viagem" e nos abordou para contar a história do museu, da cidade e do movimento chamado "Em cada casa, uma canção". Esse movimento (fundado por ele e pelo irmão Joubert de Freitas, o que eu só vim a saber depois!) consistia em que cada casa de Conservatória tivesse ao lado da sua porta de entrada uma plaquinha de metal com o nome de uma música da preferência daquele morador. As placas não se repetem. São 403! E a cada serenata os músicos param em frente às casas e cantam aquela música, se o morador gostar, pisca a luz de fora da casa 2 vezes. Acho que foi ali que eu me apaixonei por Conservatória! Parecia coisa de filme do século passado! A cidade toda colaborava, tudo era harmônico!
E assim, quando os músicos saíram com suas violas naquela noite enluarada de sexta-feira, cantando canções das quais eu me lembrava de ter ouvido na infância, nós, como todo mundo, seguimos o que parecia um cortejo (e era: um cortejo à lua!) e cantamos junto, sorrindo e esquecendo por duas horas todos os problemas ou infelicidades que pudéssemos ter tido e vivendo uma sensação mágica que nenhuma palavra será capaz de descrever!

A bientôt!

Em tempo: Voltei a Conservatória em 2013 e a  loja de CDs não existe mais e quem quiser comprar Cds antigos tem de ir ao Museu Vicente Celestino, localizado perto da Maria Fumaça, na entrada da cidade.

domingo, 29 de junho de 2008

A música está em todo lugar


Saudações!

Conservatória foi um distrito muito rico nos áureos tempos em que o café era nossa "moeda forte" aqui no Brasil. Havia mais de 100 fazendas que plantavam o café e o escoavam pelo antigo caminho ferroviário que vinha das Minas Gerais e ia para a Corte, na cidade do Rio de Janeiro, de onde seguia para o porto e outras cidades do país. Essa cultura cafeeira utilizava largamente o trabalho escravo em suas lavouras e mesmo na construção de pontos que hoje são ícones do local como o "Túnel que chora", cujo nome se deve às gotas vindas da nascente sobre ele, que tem 100 metros de extensão e por onde trafegava a Maria Fumaça, hoje parada à entrada da cidade como atração turística. Em tempos remotos a Maria Fumaça puxava não somente vagões com a produção de café, mas também com passageiros e foi aposentada em 1960, após quase 80 anos servindo de interligação entre o vilarejo e os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Também datam do século XVIII as construções de algumas casas em estilo colonial (e preservadas até hoje!) e cujas telhas foram feitas ainda nas coxas pelas escravas.

Em 2008 comemoram-se 130 anos de serenatas em Conservatória, desde que Andreas Schimidt, um professor de música, resolveu sair pela noite enluarada tocando seu violino e atraindo espectadores e posteriormente, adeptos. Hoje o distrito conta com pouco mais de 4 mil habitantes, muitos transformaram suas casas em pequenas pousadas que recebem o turista com um aconchego que só é possível em uma cidade do interior. Durante o dia, o turista pode desfrutar de diversas barraquinhas e lojinhas com artesanato local; doces; licores e queijos produzidos na região. Tudo isso brindado por um céu quase sempre muito azul, uma temperatura amena e a possibilidade de ser surpreendido por uma música conhecida em qualquer esquina.

A Bientôt!

Viagem a Conservatória confirmada!


Saudações!

Acabei de receber o email com a confirmação da minha reserva em Conservatória. Daqui a um mês estarei na cidade mais tranquila do estado do Rio de Janeiro.
Na verdade, Conservatória não é uma cidade, mas um distrito do município de Valença e fica no alto de uma serrinha muito simpática, cuja estrada é ladeada de placas com frases pinçadas de músicas famosas de seresta. Aliás, o lugar é famoso exatamente por sua singularidade:
Todos os fins de semana, na sexta-feira, há um encontro no Museu da Seresta (que fica bem no centro, facílimo de encontrar posto que o distrito parece ter apenas duas ruas, uma de ida e uma de volta) por volta das 21:30. Ali reúnem-se todos os cantores e aspirantes a cantores do lugar, além da enorme quantidade de turistas, para fazer o que mais amam: cantar! E apenas cantar!
São músicas de um tempo em que eu nem era nascida; músicas que nos fazem atravessar o túnel do tempo e voltar a um Rio de Janeiro dos anos 20, em que os homens usavam terno para ir à Confeitaria Colombo e as mulheres começavam a encurtar o cabelo numa singela tentativa de igualdade. Eram anos em que podia-se andar na rua sem medo de ser assaltado; em que podia-se acreditar na palavra das pessoas; em que o rádio era o aparelho mais desejado entre as famílias de classe média.
Por volta das 23:00 os seresteiros colocam seus chapéus, penduram seu violão no ombro e dão início à SERENATA AO LUAR, um dos movimentos mais lindos que já vi ! E o mais incrível: totalmente de graça! E lá vão eles, entoando canções de outrora, pelas ruas de Conservatória. Em cada casa há uma placa com o nome de uma canção. Ao passarem diante das casas, caso o morador se agrade do que ouve, existe um código: piscar duas vezes a luz de fora da porta; esse é o sinal para que os seresteiros saibam que aquele morador dormirá feliz ao som das belas músicas cantadas por vozes ora profissionais, ora amadoras.
Em geral o espetáculo dura em média de uma hora e meia a duas horas pelas ruas principais do distrito e termina lá pela 01:00 da manhã no mesmo ponto em que começou. Ao terminar, deixa um gosto de saudade, não apenas das cantigas ouvidas e cantadas com tanto sentimento, mas também de um tempo que passou (um tempo que eu nem vivi, mas do qual sinto imensa falta!).
Contudo o turista não precisa se preocupar, pois no dia seguinte, no mesmo horário, haverá outro encontro, provavelmente com as mesmas pessoas, em geral para cantar as mesmas músicas, mas com uma sensação deliciosa de que está sendo a primeira vez!

A bientôt!

Atualização: Desde o início de 2010 que os encontros para a seresta passaram a acontecer na Casa da Cultura, localizada ao lado da praça da Igreja Matriz.