quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dia de Museus em Montevidéu

Hola,amigos!

O dia hoje rendeu demais! Acorde reativamente cedo e fui tomar café no albergue. Nada de especial: café com leite, pão, doce de leite, manteiga, geleia, sucrilhos e iogurte. Gostosinho. Comi o suficiente para não ficar com fome e saí pra explorar mais um pouco de Montevidéu. Como ainda era cedo para os museus estarem abertos (aqui eles só abrem por volta de 11 h da manhã), fui ao píer ver a tal “vista panorâmica” que a moça do posto de informações turísticas me falou. Não gostei! O píer é feio e tem uma população estranha no entorno. Na verdade, eu li que o Uruguai é um dos países mais seguros da América do Sul, que a polícia aqui realmente funciona e tal, mas, como boa carioca, levo minha paranoia para onde quer que eu vá. Por isso achei aquele píer estranho, mas valeu conhecer de pertinho um rio que mais parece um mar.
De lá fui até o Museu Municipal. Eu havia lido que eram 4 casas que faziam parte desse museu (A Casa Rivera, a Casa de Lavalleja, a Casa Montero e a Casa de Garibaldi), mas a maioria estava fechada, só achei aberta a Casa Rivera (calle Rincón, 437) a qual visitei. Funciona de terça a sábado de 11 h às 17 h e a entrada é grátis. Ali foi a casa do primeiro presidente uruguaio. É bonita, tem muita informação sobre a formação do Uruguai como país e da cidade de Montevidéu. Tem uma parte dedicada à religião católica e às missões empreendidas pelos jesuítas para catequizar os índios por aqui também. Gostei.

Dali desci até o porto para ir ao Museu do Carnaval que fica na Rambla 25 de agosto 1825 (bem ao lado de um posto de informação turística) e vizinho do famoso Mercado do Porto. Achei que seria um museu meio sem graça, afinal os cariocas têm um dos carnavais mais famosos do mundo, mas me encantei com o lugar! O museu é lindo, com exposição de roupas, máscaras e adereços carnavalescos, além de estar com uma belíssima exposição temporária. Ali descobri a origem do carnaval uruguaio: na segunda metade do século 18, os negros vieram para cá como escravos e em seus poucos momentos de lazer eles dançavam e batiam tambores, a isso deram o nome de “candombe” (pronuncia-se candômbe). Mais tarde essas danças foram proibidas dentro da cidade e eles começaram a se agrupar fora, por isso que até hoje a maioria dos blocos desfila fora do centro. O museu funciona de terça a sábado de 11 h às 17 h, sendo que às terças a entrada é gratuita. Nos outros dias moradores de países do Mercosul têm desconto. Vale a pena visitar!




Almocei no Mercado do Porto novamente, mas dessa vez comi no balcão, pois descobri que ali não se paga pelo “cubierto”, um espécie de couvert que a gente tem de pagar nos restaurantes comendo ou não. A comida, como era de se esperar ,estava deliciosa!
Saí de lá e fui ao “Palácio Taranco”(calle 25 de mayo, 376). Esse museu, assim como os outros, tem entrada gratuita e é o museu de artes decorativas de Montevidéu. Há muitas obras de arte, mármores e móveis trazidos da Europa pela família Ortiz de Taranco, prósperos comerciantes uruguaios. No subsolo há uma exposição de arte muçulmana bem interessante.



Resolvi voltar pela peatonal Sarandí e parei para tomar um sorvete no “freddo”, a rede de sorvetes argentinos que tem filial por aqui. Mesmo no inverno o sorvete deles é muito bom!!
Estava decidida a voltar para o albergue, mas bem pertinho da Puerta de la Ciudadela esbarrei com o Museu Torres Garcia (Peatonal Sarandí, 683) e entrei. O ingresso custa 60 pesos uruguaios (mais ou menos 6 reais) e contém o acervo de Joaquim Torres Garcia, pintor uruguaio, que por ter sido criado em Barcelona, absorveu toda aquela cultura catalã modernista que também influenciou Gaudí. Apenas dois andares estavam abertos, mas os quadros que ele fez de pessoas famosas como Velazquez, Bach, Mozart, Cristóvão Colombo, etc...estavam lá. Pena que só é possível fotografar o térreo, com apenas 3 obras.

De lá voltei para o albergue super cansada, depois de andar por quase 8 horas! Mas foi um bom dia, bem proveitoso!

Hasta Luego!  

VIAGEM REALIZADA EM SETEMBRO DE 2011

De Punta a Montevidéu no City Tour da AGT (recomendo!)

Hola, amigos!

Acordamos cedo hoje, pois sairíamos de Punta com destino a Montevidéu e não queríamos perder o delicioso café da manhã do hotel. O dia amanheceu bonito, com céu azul e sol, mas com um vento terrivelmente gelado!
Depois do café, fizemos check-out e fomos para o saguão esperar nosso city tour da mesma empresa de ontem. Resolvemos contratar esse city tour, porque, como teríamos mesmo que vir a Montevidéu (eu porque passaria 3 dias na cidade e minha amiga porque o avião dela sairia do aeroporto de Carrasco) pensamos que seria boa ideia fazer um passeio guiado, isso sem falar na gentileza do motorista que me deixou em frente ao albergue e a deixaria no aeroporto!
O passeio foi ótimo! Ônibus confortável, com banheiro, e o guia ainda foi explicando todo o percurso. Descobrimos, por exemplo, que a carne uruguaia é tão macia porque , como o país é plano, os bois não sobem e descem morros, então não criam músculos, logo, sua carne fica mais macia.
Fomos contornando o rio da Prata que mais parece um mar, não fosse a sua coloração mais escura. O guia nos disse que é o rio mais largo das Américas. É engraçado ver algo que se parece com uma praia (com onda e tudo), mas de água doce.
Nossa primeira parada em Montevidéu foi no Estádio de Futebol Centenário. É uma espécie de maracanã uruguaio, onde são disputados os clássicos entre o Peñarol e o Nacional. Não entramos (ainda bem!), apenas contornamos o estádio, que recebeu esse nome por ter sido inaugurado no ano do centenário da independência. Descemos para tirar algumas fotos.
De lá, fomos até uma famosa escultura em bronze chamada “La Carreta”. Outra parada para fotos. Dali rumamos para o Congresso Nacional e passamos pela primeira estação de trem de Montevidéu que, hoje em dia, está sendo transformada em um shopping (poderiam fazer isso com a Leopoldina também, embora eu preferisse que ela virasse um museu).



Depois fomos almoçar no famoso “Mercado do Porto”, um local cheio de restaurantes. Comemos no “El Peregrino”. Pedimos carne, lógico! E estava simplesmente maravilhoso!!!! Parecia que derretia na boca! Uma das melhores carnes que já comi na minha vida! Serviço demorado, mas muito gentil. Pagamos 156 reais para duas pessoas com pratos enormes, bebida e couvert. Lá eles servem, como cortesia, o famoso drink “medio y medio”que é uma mistura de vinho branco com espumante. Não gostei, mas como não bebo, não sou parâmetro.

De lá, passeamos pelo centro velho da cidade, passando por alguns monumentos até chegarmos no albergue El Viajero (calle Soriano, 1073). Ali me despedi da minha amiga, do guia e começei a parte da viagem que farei “solita”.


O hostel é limpo, com staff simpático, boa estrutura, cozinha ampla e internet grátis, mas faltam pequenos detalhes, como locker para malas (há apenas um bem pequeno para dinheiro e documentos) e tomadas que funcionem no quarto. O meu, por exemplo, tem 4 tomadas, mas apenas uma funciona.
O quarto é para 4 pessoas, mas, por enquanto, estou sozinha. Adoraria passar as próximas noites assim: pagando por quarto compartilhado e tendo a conveniência de um quarto individual.
Depois do check-in fui dar uma volta pela cidade. Como hoje é segunda-feira, os museus estão fechados, então fui a algumas praças famosas como a Fabini, onde está um monumento conhecido como “El entrevero”, de José Belloni, que mostra a batalha entre brancos e índios. Bela praça. Muito limpa e bem cuidada.


Continuei andando pela avenida 18 de Julio, a principal, até a Plaza Independência, onde fica o Palácio Salvo, belo prédio que já foi sede do governo e, por muitos anos, o edifício mais alto de Montevidéu. Hoje é um prédio residencial.

Nessa praça está também a estátua do General Artigas, que proclamou a independência do Uruguai. No subsolo há um memorial em homenagem a ele, gratuito. É só descer as escadas ao lado da estátua.


Andando mais um pouco chega-se a “Puerta de la Ciudadela”, antiga entrada da cidade, que marca o início do centro velho. Nela também começa a Peatonal Sarandí, uma rua de pedestres, com lojas, restaurantes, camelôs e prédios bonitos.


Mais adiante está a Plaza de la Constituición, onde está a bela igreja Matriz e um chafariz que não estava funcionando.

Como eu já estava cansada e com frio (pois tinha deixado o casaco no albergue) resolvi voltar dali. Passei em frente ao famoso Teatro Solís, inaugurado em 1856 para colocar Montevidéu no circuito da Ópera. É bonito. Na quarta-feira vou fazer a visita guiada ao seu interior.
Passei em um supermercado, conhecido por aqui chamado Ta-ta, pra comprar algo para mais tarde, já que tudo o que eu queria era voltar para o albergue, tomar banho e descansar! O dia foi ótimo, apesar de bastante cansativo. Estou tendo uma ótima impressão do Uruguai!

Hasta Luego!

VIAGEM REALIZADA EM SETEMBRO DE 2011

As maravilhas de se ir a Punta del Este fora de temporada

Hola, amigos!

Acordamos cedo no domingo. Famintas, pois nossa última refeição havia acontecido mais de 12 horas antes, ainda no avião. O café da manhã do hotel é excelente, enorme variedade de pães, bolos, frutas e cereais. Adoramos! 
Como teríamos um city tour às 14 h, já incluso no pacote, pela manhã fomos apenas ao Punta Shopping para trocar dinheiro (obs.: A casa de câmbio abre aos domingos e tem ótima cotação!). Passamos em algumas lojinhas, passeamos muito e fomos almoçar a famosa carne uruguaia. Deliciosa! Tão boa quanto sua concorrente portenha! Derrete na boca!


O shopping fica a mais ou menos um quilômetro do hotel, por isso fomos e voltamos à pé, apesar do frio de rachar que estava fazendo. Na verdade, nem estava mesmo tão frio, mas o vento que vem da praia é cortante! Ainda bem que trouxemos roupas adequadas!
As 14 h o city tour da empresa "AGT Tour" chegou para nos buscar no saguão do hotel. Passeamos pelas praias de Punta, pelo cassino Conrad e chegamos no farol que fica em frente à Igreja de Nossa Senhora da Candelária, padroeira da cidade. Tudo muito bonitinho.




Descobrimos que Punta é uma cidade extremamente segura, onde não há pobreza nem periferia, onde as ruas são limpas e policiadas e cuja estrutura é preparada para atender a até 1 milhão e meio de turistas por dia sem que falte nada. Essa é mais ou menos a quantidade de pessoas que circula por aqui no verão. Depois fomos até a Playa Brava (tem esse nome pois é banhada pelo Atlântico, já a Playa Mansa, do outro lado, é banhada pelo Rio da Prata) onde está a escultura “La Mano” de um escultor chileno. Segundo o artista, a mão mostra o homem barrando a poluição e protegendo a natureza e os 5 dedos seriam os 5 sentidos do ser humano. É uma escultura estranha, mas, de certa forma, bonita.


Dali fomos até os bairros famosos de Punta para conhecer os casarões de pessoas famosas, inclusive brasileiros ( a casa mais cara é do brasileiro dono da Grandene, aliás, a família dele toda tem casa lá!). Depois o guia nos levou a uma loja que vendia lindos xales de lã, mas eram muito caros para meu bolso, então fotografei as esculturas de dinossauros que enfeitavam o ateliê.
De lá fomos a uma lojinha de artesanato para irmos ao banheiro e beber água, além de podermos comprar algumas lembranças, o que não foi meu caso. O lugar era uma gracinha, então aproveitei para tirar muitas fotos!

Dali fomos ao lugar mais esperado para mim e para minha amiga: o Museu-casa Pueblo. É a casa e ateliê de Carlos Paez Vilaró, um pintor e escultor uruguaio que construiu sua casa como se fosse uma obra de arte. Linda! Lembra uma mistura de casas gregas e o estilo modernista de Gaudí. Demorou 36 anos para ficar pronta e há várias obras do artista expostas, além de obras de Picasso e Dalí que eram seus amigos.


Descobri que Vinícius de Moraes, também amigo de Vilaró, compôs aqui aquela famosa canção “A casa” quando ela ainda estava em construção. A música que diz:
“Era uma casa muito engraçada
não tinha teto, não tinha nada,
ninguém podia entrar nela, não,
porque na casa não tinha chão...”

O que eu não sabia era que o fim da música havia sido trocado. Ela não termina como conhecemos:
“mas era feita com muito esmero
na rua dos bobos, número zero”

Isso veio depois, o original é:
“mas era feita de pororó,
era a casa de Vilaró”




Apesar de eu não ser muito fã de Vinícius, achei bonitinho. De fato a casa é encantadora e hoje já tem teto e chão (ainda bem, pois quando chegamos estava chovendo) e cada escultura linda! Há uma lojinha lá dentro, mas tudo é caro demais. A entrada custa 120 pesos uruguaios (12 reais) e podemos fotografar tudo, inclusive com flash! Pena que o dia estava feio, pois fiquei sabendo que ali tem um dos pores de sol mais lindos da cidade!

De lá, o ônibus nos deixou no shopping de Punta pois queríamos comprar algo para comer no mercado e trocar mais um pouco de dinheiro. Adoramos o city tour que durou quase 5 horas! O guia era excelente e eu bem sei que isso faz toda a diferença (é só ler meu post sobre Brugges na Bélgica para constatar essa verdade).
O dia foi ótimo, apesar do frio e da chuvinha fina que aparecia de vez em quando, mas foi tudo muito divertido e fomos exatamente nos lugares que planejamos! Gostamos desse pacote de compra coletiva. Foi barato e valeu muito a pena ter conhecido Punta del Este, um lugar para onde eu dificilmente iria se não fosse dessa forma!

Hasta Luego!

VIAGEM REALIZADA EM SETEMBRO DE 2011

Punta del Este, as dificuldades de se chegar ao Uruguai!

Hola, amigos!

Sábado, dia 17 de setembro, eu tinha combinado com uma amiga de irmos juntas para Punta del Este, no Uruguai. Na verdade, ela tinha comprado um pacote de viagem num desses sites de compra coletiva e como era para duas pessoas, eu me convidei para ir com ela. Já tinha algum tempo que eu queria conhecer o Uruguai e achei uma boa oportunidade. Compramos a passagem aérea pela Pluna, uma companhia uruguaia, pois era a única que tinha Punta del Este como destino final.
Nosso voo deveria sair às 8h05 da manhã e chegamos as 6h no aeroporto, com as duas horas de antecedência de praxe. Fizemos check-in e fomos logo para a sala de embarque, pois queríamos tomar café da manhã. Lá pelas 7h30, avisaram que o voo iria atrasar devido a um problema mecânico. Já estamos um tanto acostumadas com atrasos, hoje em dia, em viagens, principalmente as internacionais, por isso nem nos estressamos muito. Dali a 2 horas avisaram novamente que aquele voo estava com problemas na aeronave e que não partiria mais, nós seríamos realocados no voo da tarde, que iria sair as 15h30. Foi uma confusão! Um monte de gente xingando, reclamando e gritando com os pobres funcionários da empresa que cuida do embarque, pois a Pluna, assim como a maioria das empresas aéreas atuais não têm funcionários próprios trabalhando em outros países, é um serviço terceirizado, consequentemente, aquela empresa que ali estava não era a responsável pelo atraso e agiu muitíssimo bem, primeiro avisando sobre o atraso e depois, auxiliando os passageiros. Eles nos deram um voucher para o almoço em um restaurante excelente, dentro do aeroporto, chamado “Demoiselle”. Buffet de comida variada, qualidade ótima, tudo muito gostoso! O voucher dava direito ao buffet à vontade, com sobremesa incluída, mais uma bebida não alcoólica a escolha do cliente. Comemos bastante, pois àquela altura, já estávamos mesmo mortas de fome!
E para aqueles que não queriam comer no aeroporto, a companhia deu um voucher de táxi (ida e volta) para o bairro escolhido (vimos dois rapazes que quiseram almoçar em Ipanema).
Depois, tivemos que fazer um novo check-in, passamos novamente pelo raio X e voltamos à sala de embarque. Lá pelas 15h, avisaram novamente que o voo atrasaria, dessa vez, não por problemas mecânicos, mas técnicos: as informações dos passageiros estavam no computador da nave avariada e não havia programa de computador para passar as informações de uma aeronave para outra. Mais 2 h de espera, muitas reclamações e xingamentos da galera até conseguirmos, finalmente, entrar no avião. Eu e minha amiga já havíamos feito uma espécie de “pacto no-stress”e decidimos que aquilo não iria acabar com nosso humor. E não acabou mesmo, levamos super na boa, rimos, nos divertimos, descobrimos mais uma sobre a outra, além de conhecermos figuras curiosas no aeroporto. Foi interessante!
O avião da Pluna é pequeno, o interior lembra um ônibus de turismo com poltronas acolchoadas até confortáveis e apenas duas cadeiras de cada lado da janela. Banheiros minúsculos! Mas o voo foi bem tranquilo, sem turbulências e com subida e aterrissagem bem suaves. A Pluna é uma companhia que não tem serviço de bordo gratuito. Nem água! Paga-se por tudo o que se quiser consumir lá dentro. Compramos um croissant, uma água e um alfajor, tudo por 22 reais. Não é barato, mas o croissant é bem grande e bem gostosinho.
3 horas depois, desembarcamos no aeroporto de Carrasco, em Montevideo, onde pegaríamos uma conexão de ônibus até a rodoviária de Punta del Este. A empresa que faz esse trajeto se chama COT e, após mais duas horas de estrada, estávamos em Punta. Pegamos um táxi e fomos para o hotel Best Foret, na parada 6, playa Mansa. Um bom hotel, com staff simpático, quarto grande, chuveiro e camas deliciosos. Já passava da meia noite e tudo o que queríamos naquele momento era dormir!

Atualizando: A companhia aérea Pluna parou de operar em 2011 e decretou falência. Uma pena!

Hasta Luego!

VIAGEM REALIZADA EM SETEMBRO DE 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

Copa e Olimpíadas no Rio de Janeiro- Tô fora!

Olá, amigos!

Esse título pode parecer meio estranho para a maioria dos leitores desse blog, até porque, vocês devem estar se perguntando o motivo desse tema em um blog de viagens. A questão é a seguinte: estava eu andando pelas ruas do meu bairro, outro dia, quando fiquei na calçada esperando o sinal ficar vermelho para os carros para que eu pudesse atravessar e me dei conta de como somos diferentes dos milhares de turistas que, provavelmente, virão para cá nesses dois eventos esportivos. Depois de algumas idas à Europa e à América do Sul, percebi como nosso trânsito desrespeita o pedestre!
Em alguns países, quando o sinal fica amarelo, os moradores já começam a atravessar na faixa, pois sabem que, obviamente, aquele é um aviso para que os carros parem. Fico imaginando a quantidade de turistas desavisados que serão atropelados nas ruas do Rio de Janeiro em que os motoristas acham que estão fazendo um imenso favor ao pararem no sinal vermelho (depois que ele já está vermelho há algum tempo!).
Isso sem falar na quantidade de sinais sem faixa de pedestre, ou de lugares em que se atravessa "quando dá". Como um suíço vai compreender isso?
Outra diferença marcante é na questão do respeito dos ciclistas aos pedestres. Lá fora existem ciclovias e elas têm regras próprias, os ciclistas param em sinais como se estivessem na rua. Aqui, segundo o que andei lendo, o Rio de Janeiro é a cidade com a maior malha cicloviária do país (ai, Jizuis! ), só que isso não significa que tenhamos, de fato, ciclovias. A não ser nas praias da zona sul. Por outro lado, temos cada vez mais ciclistas e ciclistas que insistem em andar na contra-mão da rua, ou seja, o pedestre que  quer atravessar  (levando em conta que ele tenha a sorte de estar em uma via com sinalização e faixa de pedestre), além de se preocupar se os carros pararam, terá de olhar para TODOS os lados, pois, do nada,, uma bicicleta pode surpreendê-lo, vindo a toda velocidade  na contra-mão. A colisão provoca estragos sérios, acredite!
E há a questão monetária. Fora do Brasil existem moedas e 1 e 2 centavos em circulação e elas são utilizadas normalmente. Aqui, se o preço é R$2,99 já sabemos que não haverá troco para R$3,00, já que o governo alega que é muito caro fazer moedas de 1 centavo, mas os turistas não sabem disso! Eles vão ficar ali, na fila, esperando seu 1 centavo! E com razão! Ao não receberem, sairão com a sensação de terem sido lesados, já que o preço era R$2,99 e não R$3,00. Parece uma bobagem para nós, brasileiros, tão acostumados a não acreditar que moedas também são dinheiro, mas para eles será um choque.
E o transporte público? Isso é um caso à parte, principalmente aqui no Rio de Janeiro onde o metrô não tem grande abrangência. Europeu está acostumado a metrô. Fico pensando, por exemplo, em um dia em que haja um jogo no estádio de São Januário, em São Cristóvão, de manhã e outro no Maracanã, à tarde. Dois lugares tão próximos mas que só serão alcançados pelos turistas de táxi, pois não existe uma linha de ônibus que faça esse trajeto nem um metrô que atenda a esses lugares. O pior é que os bairros são tão próximos que daria até para ir a pé, se a estrutura física da cidade permitisse, mas não é possível, pois há de se passar por viadutos que são vedados aos pedestres! Como fazer os turistas entenderem isso?
Como fazer com que eles entendam que entre o Rio de Janeiro e São Paulo, locais que sediarão, provavelmente, a abertura e o fechamento da Copa do Mundo, existe apenas a possibilidade de se ir de ônibus enfrentando horas de engarrafamento na Avenida Brasil, Dutra e Marginal Tietê? Não existe um trem que cruze os meros 480 km que separam essas duas cidades.
Isso sem falar no problema dos aeroportos que, provavelmente, não ficarão prontos a tempo; na dificuldade de infra-estrutura que os aeroportos, já inchados, como Tom Jobim e Guarulhos enfrentam já hoje, sem nenhum evento para atrair milhões de pessoas.
Sem mencionar também na violência urbana que impera no Rio de Janeiro e que o governo estadual tenta, a todo custo, mascarar através de instalações de UPPs. A violência é tanta que uma parte da linha amarela está sendo chamada de "faixa de Gaza carioca". Acho que nem preciso falar mais do quesito "violência" depois disso...
Para os governos a Copa e as Olimpíadas são boas, afinal, trazem obras que podem ser superfaturadas para que eles possam roubar mais sem serem notados (haja vista a questão da obra do Maracanã que custará quase 100 milhões a menos depois que o Tribunal de Contas da União reviu o orçamento. Tá aqui, ó: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/968277-tcu-encontra-sobrepreco-em-obra-do-maracana.shtml ).

Esses são apenas alguns dos diversos problemas que os turistas estrangeiros e nós, brasileiros enfrentaremos aqui durante esses eventos esportivos, que foram tão alardeados como "alavancadores do turismo nacional". Tenho uma certa pena principalmente daqueles marinheiros de primeira viagem que nunca vieram para as bandas da América do Sul. Fico triste de ver que temos tanto potencial, poderíamos ser uma grande nação e não apenas um país grande em termos de dimensões.
Não gosto da ideia de ter uma Copa e uma Olimpíada no meu país e na minha cidade, não vejo progresso nisso, pelo menos, não para o cidadão comum, aquele que paga seus impostos regularmente. Não pretendo estar no país na época desses eventos. Ainda não planejei nada, mas se eu puder, estarei bem longe da confusão que vai se instalar por aqui. Caso a sua intenção seja fazer o mesmo, sugiro ler o blog "Turomaquia", pois agora há um "cadernos de viagens" em que a blogueira planeja uma ótima viagem para você. Recomendo! Esse blog já me ajudou muito e acho que essa iniciativa irá auxiliar muitos que nem sabem por onde começar na hora de sair do país, mas que, assim como eu, não querem estar aqui quando Nero colocar fogo em Roma.
Eis o link: http://turomaquia.com/cadernos-de-viagem-roteiros-personalizados/
E boa viagem!
Até a próxima!