segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Os tetos de Paris

Bonjour!

Acho que nunca olhei tanto para cima quanto nesses dias em que estive em Paris. Em cada lugar que eu entrava me deparava com tetos de tirar o fôlego! O Louvre bateu o record! Em cada sala uma surpresa! E na Gallerie D'Appolon (uma sala enorme da ala Sully) os tetos mais esplêndidos que já vi na vida! Saí de lá com torcicolo e com a sensação de que, ainda que não houvesse nenhum quadro ou escultura dentro do museu, só os seus tetos já seriam a atração!






Salão de Festas do Musée D'Orsay...



Entrada da Basílica e Sacre-Coeur...



O teto modernista do Centro Georges POmpidou...



Pantheón...



A Notre Dame à noite...


O teto do Arco do Triunfo...


Olhar para cima é imperativo em Paris, seja dentro ou fora, pois, ao sairmos desses belos museus, também somos brindados com céu azul e, por vezes, rosa, fazendo com que eu entenda perfeitamente a música cantada por Edith Piaf, "La vie en Rose".



A Bientôt!

VIAGEM REALIZADA EM AGOSTO DE 2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O céu é o limite!


Bonjour!

Eu já sabia disso mesmo antes de viajar, mas depois que eu voltei, tive certeza! Fui picada pelo inseto da viagem! Não consigo mais fazer planos para o futuro sem incluir viagens nesses planos! E a cada viagem que se aproxima e que eu imagino que será a última (pelo menos por algum tempo)já estou planejando outra e outra e outra! Até a lugares que, há pouquíssimo tempo, eu jamais sonhava em conhecer!
Eu tinha a vã ideia de que depois que eu conhecesse os países que me interessavam no mundo (uma lista de 6 ou 7) eu pararia com esse desespero de querer viajar a toda hora, contudo, tenho percebido que essa lista aumenta a cada dia! Agora já são 12 os países que sonho conhecer, e tenho certeza de que daqui a alguns meses eles serão 18 ou 24 e assim por diante!
Até os EUA que nunca haviam entrado na minha lista, já começam a figurar no fim dela através da cidade de Nova York. Em breve é capaz até de países da Ásia estarem ali presentes!

O que eu sei é que tenho de aproveitar essa época em que sou relativamente jovem, tenho tempo e consigo juntar algum dinheiro para realizar esses sonhos mesmo que de forma bem modesta. Sei que isso não vai durar para sempre e sei que sentirei saudades quando essa fase passar, mas uma coisa que eu aprendi com a idade é justamente a aproveitar o dia que estou vivendo, em vez de lamentar o que não consegui viver!

Porém uma das coisas que eu acho mais interessante de viajar é estudar, com antecedência, sobre os lugares para os quais quero ir. Isso faz com que, não só eu saiba evitar certas roubadas nas viagens, como também me faz aproveitar a viagem antes mesmo dela começar de fato, pois a viagem, na verdade, começa quando sonhamos em fazê-la. É ali que ela nasce e, qual feto dentro do útero, ela vai sendo gestada e vai se desenvolvendo até nascer como uma viagem palpável e real!
Dentro dessa metáfora posso dizer que ando muito grávida ultimamente! E acho que são gêmeos!

A Bientôt!

sábado, 19 de setembro de 2009

E o barquinho vai...

Bonjour!

Um dos passeios mais interessantes que fiz em Paris foi o passeio dos Bateaux Mouches. São barcos tipicamente turísticos que dão a volta pelo rio Sena. Existem 3 companhias que fazem o percurso e conheci duas delas: A Bateaux Mouches, que sai da Ponte de L'Alma, pertinho da Torre Eiffel e a Bateaux Parisiens, que sai da Notre Dame. O passeio simples de 1 hora, sem refeição, custa 11 euros e, no verão, os barcos saem a cada 15 minutos e o último sai às 23h.



O dia estava lindo e ensolarado. Aliás, fazia muito calor em Paris nesse dia e resolvemos pegar o barco às 17h, quando, teoricamente, o sol já está mais baixo...lêdo engano! Esquecemos que era verão na Europa e o sol só se põe as 21h30, portanto, às 17h ainda tinha um sol alto no céu! Contudo, a brisa tornava o calor perfeitamente suportável e a paisagem fazia com que a gente se sentisse dentro de um desses filmes de Hollywood.
O barco passa pelos pontos mais conhecidos ao longo do rio. Parace até um tanto banal, lendo assim, mas a sensação de estar em Paris, passeando pelo rio Sena é indescritível! Por mais clichê que possa parecer, é um passeio imprescindível para quem vai à cidade, principalmente para quem vai passar pouco tempo, pois dali dá para se ter uma exata ideia da dimensão da Paris Turística e dá para a gente realmente "ver" Paris! A cada metro a gente vai se deparando com uma paisagem de cartão postal...A Ponte Alexander III...



O Louvre...O Musée D'Orsay...A Conciérgerie...



De repente, surge por trás das árvores a majestosa Notre Dame!


...e para coroar o passeio não poderia faltar o ícone maior: A Torre Eiffel! Vista de todos os ângulos possíveis!

Feito à noite o passeio ganha uma aura ainda mais romântica e é muito bonito ver todos aqueles monumentos iluminados. Não é à toa que Paris é conhecida como cidade-luz! Tudo ali reluz, seja ao sol forte de cinco da tarde ou ao luar que desce mansamente sobre o rio mostrando a lua em plena luz do dia!
Ver Paris de dentro de um cartão postal é senti-la em sua essência, é " acreditar que o mundo é perfeito e que todas as pessoas são felizes", como diria Renato Russo.

A Bientôt!

VIAGEM REALIZADA EM AGOSTO DE 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uma igreja que me levou a Paris

Bonjour!

Há muitos anos, quando eu ainda era adolescente, me caiu nas mãos um livro de capa dura que era um clássico da literatura mundial: "O corcunda de Notre Dame". Eu começei a ler, um tanto desconfiada, pois naquela época, eu ainda não tinha a paixão que tenho hoje pela literatura e chamar um livro de clássico era algo que, definitivamente, espantaria da leitura qualquer adolescente, minimamente, rebelde.
Contudo, começei a ler o livro e, apesar da linguagem ser um tanto estranha para mim, pois continha palavras difíceis e pouco usadas, à medida que eu ia lendo, ia me apaixonando pela história. Em pouco tempo lá estava eu chorando por Quasímodo e torcendo para que ele conseguisse viver seu amor com Esmeralda, embora eu (mesmo sendo uma adolescente romântica) soubesse que era impossível.
O livro terminou, enxuguei as lágrimas e passei algum tempo absorvendo toda aquela linda história de amor. Depois de alguns anos me peguei estudando sobre a catedral que fora o palco dos protagonistas, descobrindo que ela é uma da catedrais mais antigas de Paris em estilo gótico. Aliás, graças a ela, eu aprendi o que era "estilo gótico".
E foi assim, tomada por esse sentimento quase literário, que fui à Paris esse ano e escolhi ficar hospedada em um apartamento bem perto da Notre Dame.
No primeiro dia, depois de desfazermos as malas, ela foi o primeira coisa que eu quis ver na cidade. Torre Eiffel? Arco do Triunfo? Ah, isso fica para o dia seguinte! O primeiro dia é o dia dela! A igreja que me levou até Paris.
Foi assim, meio sem querer, que nos deparamos com ela, ali, imponente e com todo o seu esplendor! Eu sabia que ela era bonita, mas chegar perto da Notre Dame e observar seus detalhes era algo realmente mágico!


Fomos nos aproximando da entrada, e ali estava o portal que simboliza o juízo final. Simplesmente lindo!


Entramos e, logicamente, como não poderia deixar de ser, ela estava lotada! Um pé direito gigantesco! A nave central tem nada menos que 69 metros de altura! E lá em cima: A Rosácea! Tão famosa quanto Quasímodo, aquele vitral é de deslumbrar qualquer mortal!


Demos uma volta por dentro da Igreja e lá encontramos vitrais de cair o queixo...


...candelabros antigos que, embora não sejam mais usados, ainda estão ali preservados...


...maquetes da Igreja (mais tarde eu viria a descobrir a paixão dos franceses por maquetes de seus monumentos)...


...sem falar na aura de mistério, respeito e serenidade que o lugar passa!
Nos dias em que estive em Paris eu sempre dava um jeito de passar na frente da Notre Dame fosse para onde fosse. E na volta, também!
Acabei tirando foto dela de todos os ângulos possíveis...



....e em todos os horários...


Descobri que Paris foi fundada ali em frente, onde há o "marco zero", que é de onde partem todas as medidas da cidade.


Descobri também que ali na frente era um dos locais preferidos dos artistas de rua exporem sua arte e ganharem um trocado...





No último dia, resolvi encarar os 387 degraus e ir ver os gárgulas de perto! Descobri, inclusive, que isso que chamamos de gárgula, na verdade são "quimeras" e só foram colacadas lá em cima no século XIX.


Os gárgulas mesmo, que são da época da fundação da igreja, são aquelas cabeças usadas para escoar a água e, em tempos de guerra, serviam para despejar óleo quente sobre os inimigos.


A subida não é fácil. A escada é pequena, em formato de caracol e a cada etapa, vai ficando mais e mais estreita. Dei a sorte de ser a última do meu grupo (só se pode subir em grupos de 20 pessoas a cada 10 minutos, pois não há espaço para mais do que isso lá no alto)e isso me permitia subir no ritmo que eu quisesse, pois não havia ninguém atrás de mim. Também me permitia olhar aquela escada com mais calma, tocar nas pedras, observar pelas frestas. A cada etapa vencida, um suspiro de felicidade! São três etapas. A primeira de uns 150 degraus leva até a loja, onde há várias lembrancinhas para serem adquiridas.
A segunda, com mais uns 150 degraus, leva até o meio da Igreja, de onde se tem uma vista belíssima e de onde se pode tirar fotos dos gárgulas (ops, quimeras!).


Ali também pode-se entrar em uma portinha para ver o sino maior, chamado de Emmanuel. Aquele mesmo que Quasímodo tocara até ficar surdo!


Mais uns 87 degraus e chega-se ao topo! Dali pode-se ver toda a cidade. A vista é algo deslumbrante! Principalmente para quem leu o livro!


Olhando para baixo é possível ver a praça de onde Quasímodo salva Esmeralda da morte...


O rio sena está ali também e ao longe, a Torre Eiffel, que obviamente não existia no tempo em que Victor Hugo escreveu seu clássico, mas que se harmoniza perfeitamente com a paisagem. Dali de cima da Notre Dame, no último dia de viagem, eu tinha realmente a sensação de que eu estava em Paris!


Fiquei o máximo de tempo permitido. Tirei fotos. Muitas. Mas também guardei lembranças. Sensações que foto nenhuma seria capaz de registrar. Guardei aquele momento de mergulho no tempo, de mergulho na literatura, de mergulho na minha profissão, de lembrança das aulas de história e de lamento por nunca nenhum professor ter me feito ver a história como ela realmente é: viva!
Guardei aquele momento de alegria por me sentir uma professora competente, por mostrar aos meus alunos que um livro, um simples livro, pode ser capaz de transformar a nossa vida e nos transformar como seres humanos!
Desci daquela torre diferente. Não sei explicar o que mudara, mas algo se modificara. Algo que, um dia, foi sonho, acabara de se tornar realidade e isso trazia um novo sentido a tudo!
Á noite, indo me despedir de Notre Dame, pois seria a última vez que eu iria vê-la nessa viagem, havia um show diferente na frente de seus portões. Duas moças que dançavam dança cigana estavam ali se apresentando. Olhei para a mais morena delas e foi inevitável perceber...era a Esmeralda! Em outro tempo, de outra maneira, mas ela estava ali, fechando um ciclo que eu começara aos 14 anos, quando li pela primeira vez "O corcunda de Notre Dame"...

...Certamente, lá de cima, Quasímodo a estava observando...



A Bientôt!

VIAGEM REALIZADA EM AGOSTO DE 2009

sábado, 5 de setembro de 2009

Como aproveitar Paris gastando pouco

Bonjour!

Que Paris é uma das cidades mais caras do mundo não é novidade pra ninguém, contudo descobri nessa viagem que é muito possível gastar pouco em Paris. Existem programas maravilhosos que podem ser feitos gratuitamente, gastando, no máximo, uma passagem de metrô. Isso sem que você precise se programar para estar na cidade no primeiro domingo do mês, dia em que a maioria dos museus (como o Louvre, por exemplo) é gratuito.
Caso você não tenha dinheiro para subir o Arco do Trinfo, a Torre Eiffel ou mesmo a Notre Dame e queira ter uma visão de Paris de cima, poderá subir as escadas rolantes do Centre Georges Pompidou (metrô Rambuteau) de graça e ver a cidade lá do alto! A vista é linda e você pode observar, ao mesmo tempo, os meus dois monumentos preferidos: a Torre Eiffel e a Notre Dame. Com boa vontade, elas até saem juntas na mesma foto!



Ainda na Rive Droite, vc poderá ir até a Place des Vosges (metrô Saint Paul) para observar gratuitamente aquela bela praça com 36 casas simétricas. Ali, no número 6, morou o escritor Victor Hugo (aquele do "Concunda de Notre Dame", lembra?)  e sua casa se transformou em um museu muito bonito com entrada grátis.



Caso você seja uma pessoa interessada na história da França e, principalmente, na história de Paris, vale a pena dar uma passadinha no Museu Carnavalet, que fica bem pertinho da Place des Vosges. Esse museu, com entrada gratuita, conta a história de Paris e tem o seu segundo andar dedicado à Revolução Francesa, com chaves originais da Bastilha, armas usadas pelo exército de Napoleão, entre outras preciosidades. Reserve algum tempo para esse museu, pois ele não é pequeno.


E caso você queira aproveitar uma rede wi-fi gratuita é só levar o seu laptop para os jardins desse museu.
Se, em vez de museus, você prefere visitar Igrejas, existem muitas em Paris com entrada livre, às vezes você só paga para ver uma parte dela (como a cripta ou o Domo), mas mesmo vendo apenas o que é 0800, vale a pena visitar, ao menos quatro:

1- Notre Dame (metrô Saint Michel)- Esta é, na minha opinião, a igreja mais linda em que eu já entrei na vida! Não apenas por ser bonita, mas porque ela contém toda uma história para os amantes da boa literatura. Foi ali o palco do amor platônico de Quasímodo, o corcunda, pela cigana Esmeralda. Quando se entra na Notre Dame dá quase para sentir a aura desses personagens, que embora sejam fictícios, ganharam ao longo do tempo uma aura de realismo, da mesma forma que Romeu e Julieta.

2- Igreja Saint- Germain-des-Prés (metrô Mabillon)- Esta é a igreja mais antiga de Paris, construída em 990d.C. Descartes está enterrado lá. Mas a graça dessa igreja é observar seu interior escuro e tentar reviver, por alguns segundos,aquele tempo medieval.

3- Igreja de Saint Sulpice (metrô saint-sulpice)- Esta ficou famosa pelo livro do Dan Brow "O código da Vinci", mas, para mim, ela é importante porque foi lá que Victor Hugo se casou. Lá você encontra também murais de Delacroix e, diante da igreja, há uma belíssima fonte.

4- Igreja de Sacre Coeur (metrô Anvers)- É preciso fazer um certo esforço para se chegar lá em cima, pois são várias escadas. Se você não quiser gastar dinheiro com o funicular (1,70 euros para subir e outro tanto para descer), pode respirar fundo e subir os degraus que levam ao topo. De qualquer modo, você não irá se arrepender, pois, além da Basílica (que, segundo um amigo meu, é o "Taj Mahal parisiense"), há ainda a belíssima vista da cidade. Dá para se sentir dentro do filme "O fabuloso destino de Amélie Poulin" sem gastar quase nada! E depois, você pode caminhar um pouco e chegar à Place de Tertre, bem atrás da Sacre Coeur, onde estão vários pintores exibindo sua arte. Mesmo que não se queira (ou não se possa!) comprar nada, é um passeio que vale a pena, afinal, foi ali que grandes pintores, como Renoir e Pissaro, um dia já montaram seus cavaletes.

Pode ser que seu fraco não sejam igrejas e sim jardins. Nesse caso há muito para ver em Paris! A maioria de seus jardins têm entrada gratuita e pode-se ficar ali sentado em uma daquelas cadeiras observando o modo de vida parisiense. os três que recomendo são:

1- Jardin de Tuileries (metrô Tuileries)- Fica ao lado do Louvre. Dele você pode ter uma visão privilegiada, pois estará entre a pirâmide do museu e a Torre Eiffel. Ambiente extremamente agradável, principalmente para um piquenique (contudo, não é permitido sentar no chão, seu piquenique terá de ser feito nas cadeiras do jardim). É montada, nesse jardim, todo ano, uma Roda Gigante e, se vc não estiver com a grana muito apertada, vale a pena dar uma volta. O bilhete custa 6 euros e ela dá 5 voltinhas. A vista é deslumbrante, principalmente ao anoitecer!



2- Jardin de Luxembourg (metrô Luxembourg)- É um ótimo local para passear, ler, ficar observando o tempo...Florido, agradável e, no verão, nos finais de tarde, com alguma sorte, você ainda é surpreendido por algum show gratuito.



3- Jardins do castelo de Versalhes (RER C- Versailles Rive Gauche)- Como você deve ter lido nos post anterior, os Jardins de Versailles são muito bonitos e, se você gosta desse tipo de passeio, recomendo ir até lá tirar umas fotos, fazer um piquenique e passear pela propriedade. Tudo o que você irá gastar é a passagem de RER e o lanche que levar, pois a entrada para os jardins é gratuita.

Para coroar os passeios gratuitos, eu não poderia deixar de falar nela! A torre Eiffel! Não, a entrada da Torre não é gratuita! Mas vê-la de baixo é, cá entre nós, muito mais interessante que subir nela. O metrô mais perto é o Trocadéro ou o RER Champs de mars. Observar aquele monumento gigantesco não custa nada além de uma percepção diferenciada do conceito de beleza. Há muita gente que acha que a torre não passa de um amontoado de ferro...mas com olhos de viajante, aberto à novas culturas, a novos hábitos e a gostos diferentes, certamente você será capaz de se emocionar quando aquele monstro de ferro começar a piscar as 22h!


Há ainda uma infinidade de artistas que mostram sua arte pelas ruas e pontes de Paris. São malabaristas em corda bamba; homens que brincam com fogo; ciganas que apresentam suas danças; rapazes que dão show sobre patins; solitários tocando um triste saxofone ou grupos alegres cantando músicas folclóricas no metrô...enfim, tantos que nem teria como eu colocar todos aqui nesse post. Em geral as pessoas dão algum dinheiro, pois na Europa, tudo isso é valorizado e os artistas conseguem viver apenas da sua arte. Mas, se você não tiver nenhum dinheiro para dar, pode ver os shows que ninguém vai olhar pra vc de cara feia só porque você não contribuiu.
Paris pode ser uma das cidades mais caras da Europa, mas com um bom planejamento ela pode se tornar acessível a todos os bolsos. E o melhor: aproveitando ao máximo toda a essência dessa cidade tão linda!

A Bientôt!

VIAGEM REALIZADA EM AGOSTO DE 2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Um castelo sob o sol de Paris

Bonjour!

Uma das visitas que eu tinha muita vontade de fazer quando fosse a Paris era ao Castelo de Versalhes. Havia toda uma questão histórica envolvida, pois eu tinha estudado sobre a Revolução Francesa, em que o povo, revoltado por estar morrendo de fome enquanto sua monarquia vivia sob toda aquela pompa e circunstância, saiu de Paris e marchou até os portões do palácio para tirar satisfações com seu rei. Havia também aquela famosa frase de Maria Antonieta ("Se não têm pão, que comam brioches") que os historiadores juram que ela jamais proferiu; havia o salão dos espelhos ricamente decorado; havia a sala em que o tratado (aquele mesmo, o de Versalhes!) foi assinado, dando fim à primeira guerra mundial; enfim, havia uma infinidade de fatores que me faziam querer conhecer esse lugar que, de casa de caça da família real, se transformara no maior símbolo de ostentação da nobreza da França em meados do século XVI.
E foi assim que, naquela quinta-feira, pela manhã, saímos de casa com direção à História!
Eu já havia me informado como chegar lá, sabia que havia um trem direto e era justamente o RER linha C, com destino a "Versailles Rive Gauche" que deveríamos pegar. Acontece que o metrô de Paris está em obras e o RER que saía da estação Saint Michel (ao lado do nosso ap) não estava operando. Pensei: "E agora? Como faremos para chegar lá?", mas Paris é uma cidade preparada para os turistas e a moça no guichê do metrô nos disse que poderíamos pegar um ônibus bem ali ao lado que nos deixaria na próxima estação de RER após a obra. Detalhe: O tal ônibus era gratuito!
Isso é que é uma cidade preocupada com os turistas!
Bem, pegamos o tal ônibus e de lá, fomos até a estação "Invalides" onde pegamos o RER C- Versailles Rive Gauche, que segundo minhas informações, nos deixaria bem perto do castelo.
A viagem dura em média uns 45 minutos e o trem é confortável, com poltronas acolchoadas, bem diferente dos outros trens RER...
Ao sair da estação é bem simples: basta atravessar no sinal, virar à direita e depois à esquerda na primeira avenida grande (depois de um Hotel Ibis e um Mc Donald's) e voilá! Você já estará na frente do palácio! Aí é só andar até os portões dourados. Logo na entrada há uma estátua do Rei-Sol Louis XIV.




Acontece que justamente naquele dia fazia um calor quase desértico na França! Parecia que tinham aberto a porta do inferno e deixado escapar seu vapor quente! Estava insuportável! A tal ponto de abrirmos nossos guarda-chuvas para tentar fazer alguma sombra! Quando chegamos, nos deparamos com uma fila gigantesca!!!! Embaixo daquele sol de meio dia! Olhamos bem, analisamos a nossa capacidade física e, com dó no coração, desistimos de entrar no palácio! Até porque teríamos de enfrentar duas filas: uma para comprar o ingresso (13,50 euros) e outra para entrar.
Mas não queríamos que a viagem fosse (totalmente) perdida, então fomos passear pelos jardins do castelo...



A visita aos jardins é gratuita e pode-se ter uma vaga ideia da opulência com que os reis viviam...o local é todo planejado e tem várias estátuas em estilo grego.
Mais adiante há um trenzinho (6 euros) que se pode pegar para dar a volta por toda a propriedade. Esse trem te dá a possibilidade de saltar no Petit Trianon; no Grand Trianon ou nos domínios de Maria Antonieta, onde ela simulou ter uma fazenda e brincava de ser camponesa. Depois, para voltar, é só pegar o próximo trem. Contudo, nós não saltamos, apenas demos a volta de trem. O calor estava assando todo mundo que ousasse ficar fora da sombra!





Fizemos um pequeno piquenique antes de irmos embora. Sanduíche, suco e água, que havíamos levado de casa. Passamos na lojinha de souvenirs e compramos uns postais do interior do castelo, já que não tiramos fotos, pois não entramos...voltamos para a estação.
Na volta, por volta de 15h já não havia mais fila para entrar e até pensei que poderíamos, finalmente, entrar, mas o calor nos deixara muito cansadas e acabamos mesmo indo embora. Pegamos o RER para voltar, depois o ônibus até a estação Saint Michel e chegamos em casa com a estranha sensação de termos perdido o melhor da festa...paciência...Versailles fica pra uma próxima visita a Paris...

No entanto, eu descobri uma coisa importante: além de não ter mais fila depois de 15h, o ingresso que custava originalmente 13,50 cai para 10 euros depois desse horário, ou seja, se vc planeja ir a Versalhes no verão europeu, programe-se para ir à tarde, pois certamente irá aproveitar bem mais do que eu...

A Bientôt!

VIAGEM REALIZADA EM AGOSTO DE 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ao mestre, com carinho

Bonjour!

Em minhas andanças pela internet, antes da viagem, descobri algo que me soou como um paraíso na cosmopolita Paris: Giverny! O local onde o mestre do impressionismo Claude Monet havia morado nos últimos anos de sua vida e onde ele havia se inspirado para criar suas mais belas obras de arte!
Eu soube da existência de Giverny, há alguns anos, quando ganhei um calendário com as belas paisagens de seus jardins. Tão belas que, até hoje, elas enfeitam a minha janela, criando em mim uma ilusão de paisagem, já que minha janela tem vista apenas para a janela do vizinho. Contudo eu não sabia a história daquele lugar nem o que ele provocara no grande mestre.

Não me lembro exatamente onde descobri a informação da Fundação Claude Monet, mas o fato é que esse lugar fazia parte integrante dos meus planos nessa viagem à França. Dito e feito! Depois que voltamos da Bélgica, inebriadas com aquele show de luzes que acontecia todos os dias na Grand Place, queríamos algo que superasse aquela maravilha e fomos a Giverny.

Giverny é, na verdade, uma região da cidade francesa Vernon. Não fica em Paris, embora seja bem perto (cerca de 1h15). O processo para chegar até lá é simples: A gente vai até a estação de trem Saint Lazare (caso vá de metrô, suba até o nível da estação) e lá há um guichê da SNCF de venda de passagens. Ali você pede para ir a Giverny (existem vários trens que vão para diversas cidades e param lá). O atendente era super simpático (sim, existem franceses simpáticos! Muitos, por sinal!) e nos disse que o próximo trem iria sair as 10h50 (eram 10h30). A passagem custou 25 euros (ida e volta para quem não tem, como eu, qualquer tipo de deconto. Para idosos, estudantes e menores de 26 anos o preço cai um pouco). O próprio atendente já nos disse qual era a plataforma e saímos andando bem rápido até ela, já que ficava meio distante de onde estávamos.
Chegamos, perguntei ao controlador se eu estava no lugar certo e diante da afirmativa dele, compostamos o bilhete e entramos ( "compostar" é colocar o bilhete em uma máquina amarela na frente da plataforma para ele ser marcado com o dia e a hora, caso não faça isso e seja pego, a multa é alta!). Aí era só apreciar a paisagem. Casinhas, muito campo, uma ou outra vaquinha lá longe, mais casinhas, um céu cheio de nuvens, mas muito bonito...

A cada estação uma voz avisa em francês e em inglês onde estamos parando. A nossa era a estação VERNON, que é a cidade onde fica Giverny. Acho que era uma ou duas estações depois de partirmos (não se preocupe, pois a hora prevista para chegada lá está impressa na passagem, é só ficar de olho no relógio, mesmo que você só fale ou entenda português). Saltamos,a estação é bem bonitinha, típica estação de trem de cidade pequena, bem parecida com aquelas que a gente vê em filmes europeus.
Ao sair, a gente foi seguindo pela direita até a lateral da estação onde fica o ponto do ônibus 240 (VERNON-GIVERNY). A fila era grande, mas todos são colocados dentro do ônibus que tem sua saída coordenada com as chegadas dos trens. Ou seja, se seu trem chegou e você está no ponto do ônibus, pegue aquele que está ali, mesmo que você tenha que ir em pé, pois o próximo só virá quando o outro trem chegar na estação ( e os horários são distantes, para se ter uma ideia, depois do nosso, só saía outro de Paris às 14h). Custa 4 euros (ida e volta, mas não deixe de guardar seu tíquete, pois terá de apresentá-lo para voltar).
O ônibus chega em uma espécie de descampado e dali, seguimos o fluxo. Todos foram até o busto de Monet que fica no meio do mato. Fotos, fotos, fotos e aí, é cada um por si para encontrar as placas que indicam "Museu Claude Monet" ou "Giverny" ou "Fundation Monet".



O caminho é bonito, cheio de casinhas que parecem saídas de um livro...a gente foi andando, andando, até que em dado momento, chegamos ao "Atelier des Nynpheas" e , é claro que, Ninféias lembram Monet...estávamos no caminho certo!
Logo adiante estava a bilheteria. Compramos o bilhete completo que dava direito à casa e aos jardins. 6 euros. Ali começava nossa viagem pelo universo mágico do pintor.
A gente já entra logo na loja de souvenirs que é um sonho! Dá vontade de levar tudo! Tem reproduções dos quadros de Monet, canetas, cadernos, postais, prendedores de cabelo, guardanapos, guarda-chuvas, espelhos, chaveiros, livros e mais uma infinidade de lembrancinhas com as mais famosos pinturas do mestre.
Claro que eu tive que tirar uma foto ao lado do retrato de Monet para mostrar a minha alegria em estar ali. Saindo dali (cuidado para não ser levado à falência, pois tudo é muito caro) demos de cara com os jardins de Monet. Aqueles que inspiraram o artista a criar tantos quadros conhecidos. Era tão lindo que não há palavras capazes de descrever as cores, o visual, a atmosfera, a aura daquele lugar!




Depois de andar pelos jardins entramos na casa onde Monet morou. Infelizmente não é permitido tirar fotos, mas eu consegui uma foto na internet da cozinha dele, que a parte mais linda de toda a casa! Ali a gente vê os móveis que ele usava, os pratos, as toalhas, as cortinas...é tudo tão especial...com uma atmosfera tão boa...




















Saindo da casa fui procurar a ponte japonesa, aquela que ele imortalizou em inúmeros quadros! Lá estava ela, cheia de gente, por sobre o lago com as Ninféias. Fácil entender porque os quadros de Monet são tão lindos e por quê ele pintou tanto! Morando em um lugar como este é quase impossível não se inspirar!



Ficamos ali um tempinho, observando, sentindo a aura do lugar...depois saímos e fomos tomar um chocolate quente em um restaurante ali das redondezas. Uma graça, até os pratos tem enfeites de flores!



Uma coisa que me chamou a atenção, no entanto, foi quando estávamos saindo e eu perguntei à garçonete onde era o banheiro, ela me indicou e ao chegar lá, havia duas cabines: uma com a inscrição "Reservado aos clientes do restaurante" (foi a que eu usei) e a outra com uma máquina de moedas que abria a porta com o preço: 50 centavos. Ou seja, quem não estivesse no restaurante e quisesse usar o banheiro, pagaria os 0,50 e entraria. Contudo não havia ninguém ali para fiscalizar! E quando eu estava lavando as mãos, uma mulher entrou e foi no de 0,50! Pura consciência! Pura honestidade! Pura estupefação a minha, pois tenho certeza de que, se fosse aqui, ninguém pagaria...é algo que impressiona alguém que vive sob a cultura do "jeitinho"!
Saindo dos jardins, passamos pelos campos de feno, também imortalizados por Monet em seus quadros.


Realmente a sensação que eu tinha era a de que estava perdida em algum quadro dele! Como naquele filme "Amor além da vida"...eu me sentia imersa naquelas cores, naquelas pinceladas, naquela textura, naquelas impressões...



Monet era mesmo um gênio e que felicidade foi poder conhecer o lugar que tanto o inspirou!
A Bientôt!

VIAGEM REALIZADA EM AGOSTO DE 2009