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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Último dia em Sevilha: já quero voltar!

Era domingo e também meu último dia nessa cidade pela qual eu havia caído de amores. Eu teria de aproveitar da melhor forma esse dia, por isso, logo após o café da manhã, saí ainda bem cedo e fui andando em direção ao Parque Maria Luisa.
A cidade estava vazia, lojas fechadas. Os espanhóis têm a fama de acordar tarde, especialmente aos domingos. Mas era bom passear por uma Sevilha vazia, quase uma cidade fantasma. Eu tinha a sensação de tê-la toda para mim. Passei pelo centro histórico, tirando fotos dos mesmos lugares sob novos ângulos, fotografei as  belas vitrines sem ninguém na frente e aproveitei para respirar a beleza de uma cidade colorida e que ganhava uma   luminosidade preguiçosa que incidia lentamente sobre suas construções.






Não havia ninguém na rua. Vez em quando eu cruzava com um atleta fazendo seu cooper matinal, mas na maior parte do tempo éramos apenas eu e a cidade, vivendo aquela paixão silenciosa. E eu me perguntava quando, em sã consciência, eu andaria pelo Rio de Janeiro num local tão deserto e sem nenhuma preocupação? Desisti de me responder quando dei de cara com a Plaza de España, uma praça simplesmente DESLUMBRANTE, que fica dentro do Parque Maria Luisa. Ela foi construída para a exposição de 1929 e seus azulejos, cerâmicas e detalhes que misturam estilos são encantadores. É apenas uma praça, mas dá para passar o dia lá sem conseguir apreender todos os detalhes, toda a riqueza de sua arquitetura e toda a beleza ali inserida. As fotos, claro, não chegam nem perto da magnificência do lugar.
Depois de inúmeras fotos, de todos os ângulos possíveis, eu não parava de me indagar como aquela cidade podia ser tão linda. Como era possível que houvesse tamanha beleza em um único lugar no mundo, além de Veneza.







Já, refeita do encantamento, continuei meu passeio pelo parque Maria Luisa, pois eu queria encontrar o Museu de Artes y  costumbres (funciona de terça a sábado de 9h às 19h30 e aos domingos, de 9h às 15h30, ingresso a 1,50 euros) que ficava exatamente do outro lado do Parque, perto de uma outra praça chamada Plaza de las Americas. A medida que eu me aproximava, via uma bela construção, semelhante a um palácio e não podia crer que ali fosse o museu. Mas era. Só a fachada já te deixa de queixo caído. 



Ao entrar, descobrimos como vivia a sociedade espanhola da região da Andaluzia desde priscas eras até os dias de hoje. Seus hábitos, suas festas, suas artes, seus trabalhos, suas crenças, seus costumes. É uma viagem no tempo e na história, da qual é impossível se sair da mesma forma que se entrou. Depois de tanta informação dada de forma tão didática nesse museu, mudamos algo em nós sobre a compreensão acerca desse povo andaluz. Há algo ali que nos identifica e nos resgata. Eu realmente estava embevecida com toda aquela cultura!





Saí de lá me sentindo leve e feliz. Fui almoçar novamente no Genova, aquele restaurante de tapas que mencionei alguns posts atrás. Guisado de carne era a tapa do dia. Delícia!
Dali, fui a um mirante chamado Metropol, na Plaza de la Encarnación, bem perto do meu hostel (aliás, tudo era perto do hostel!) . O lugar é conhecido como “Las setas de la Encarnación” (“Setas”, em espanhol, é cogumelo. E ao ver aquela arquitetura dá para entender o apelido) . Ele foi construído em 2011 e é a maior estrutura de madeira do mundo. Tem 4 pisos. No subterrâneo, há uma espécie de antiquário com vestígios arqueológicos da época romana e árabe. É ali também que se pega o elevador até o topo (custa 3 euros para subir). Lá de cima se pode ter uma visão de 360 graus da cidade. O céu estava especialmente lindo nesse dia e foi uma maneira de fechar minha estadia em Sevilha com chave de ouro. 
Vista da cidade

A  estrutura de madeira

As escadas que nos permitem ver Sevilha em 360°
Claro que eu queria passar mais 3, 5, 1000 dias nessa cidade, mas infelizmente, não era possível. Eu já tinha passagem de trem comprada para Barcelona no dia seguinte. Mas ali, de cima daquele mirante, tendo toda Sevilha aos meus pés e vendo aquela beleza de arrepiar eu me prometi voltar. Há muito ainda a se ver nessa cidade. Muito o que explorar e conhecer.  Ali em cima eu tive a certeza de que Sevilha não seria um caso de amor passageiro. Sevilha era para sempre. Sevilha estava agora impressa na minha alma, assim como Veneza e Paris. Sevilha era minha! E  mais do que isso: eu, agora, também pertencia à ela.  
Até a Próxima! 

VIAGEM REALIZADA EM JANEIRO DE 2016

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Touros e Flamenco: nada mais andaluz!

Hola, amigos!

Hoje acordei mais tarde. Estava cansada da maratona de ontem. Tomei meu café no albergue e parti para o Museu de Belas Artes de Sevilha ( funciona de terça a sábado de 9h às 19h30 e aos domingos de 9h às 15h30. Ingresso: 1,50E) . No meio do caminho me deparei com belos prédios. Um deles me chamou atenção e depois eu descobri que era um shopping! Como eu queria ter um desses na minha cidade: que lugar lindo! Aliás, estou me tornando repetitiva aqui no blog, mas não há outra palavra capaz de definir tudo o que eu estava vendo: beleza, beleza e mais beleza. Palavra que define também o museu de Belas Artes, cujo acervo é praticamente só de obras religiosas, com direito a obras de Velásquez e El Greco, além de um artista sevilhano chamado Bartolomé Estevan Murillo.

Por incrível que pareça, isso é um shopping!
Interior do Museu de Belas Artes
Obra de Murillo, pintor sevillano


Obra de El Greco



Obra de Velasquez
Saindo do museu fui conhecer a Plaza de Toros La Maestranza (funciona todos os dias de 9h30 às 19h. Ingresso: 7 euros) que é o templo das touradas em Sevilha. Não vou aqui me manifestar em relação ao que penso sobre as touradas, pois já fiz isso no post de Madri, mas posso dizer que, independente de qualquer posicionamento, a visita vale a pena. É guiada em espanhol e inglês e a guia nos leva para todos os pontos importantes da arena, incluindo um museu taurino com quadros de toureiros famosos em Sevilha como Belmonte (aquele mesmo retratado no filme “Meia noite em Paris”) , Varelito e Manolo Vasquez, além de nos mostrar os ricos trajes dos toureiros e nos contar, com detalhes, todos o passo-a-passo de uma tourada e nos explicar a importância dela para a cultura espanhola, em especial, para a cultura andaluza.  

Plaza de Toros de la Maestranza


Quadro de Belmonte

Trajes 
Saí da plaza e fui até a margem do rio Guadalquivir, atravessei a ponte e cheguei ao Mercado de Triana, o mercado municipal de Sevilha. Um lugar que vende frutas, legumes e pescados e onde podemos comer uma comida  bem feita e barata.  Pedi tapas. Aliás, estou amando comer tapas em Sevilha! Comi paella, vieira gratinada e camarões. Tudo delicioso e super fresco! Preço imbatível: 20 euros incluindo a bebida!

Atravessando o rio 




Ali, ao lado do mercado, existe um castelo chamado Castelo de São Jorge, mas na hora que cheguei, ele estava fechado e não pude visitá-lo, infelizmente.

Castelo de São Jorge
Voltei a pé para o hostel, aliás, tenho andado basicamente a pé pela cidade. Tirando a estação de trem, que é mais distante, todo o resto é perto e dá para ir a pé, sem grandes sacrifícios. Uma das coisas que eu queria muito fazer em Sevilha era assistir a um show de flamenco e descobri um lugar bem perto do hostel chamado “Casa de la Memoria” que tinha show com preço acessível (18 euros por 1h20 de show). Comprei meu ingresso no dia anterior e depois de descansar um pouco no hostel, me arrumei para ir ao show. O lugar é uma graça. Todo decorado com inspiração árabe. A sala onde acontece o show é pequena, devem caber umas 100 a 150 pessoas, no máximo e, mesmo chegando com meia hora de antecedência, ela já estava lotada! Já no início nos avisam que não é permitido fotografar ou filmar durante a apresentação e que no final, os artistas avisarão que o último número poderá ser filmado ou fotografado.


Sentei numa das poucas cadeiras livres e, pontualmente às 20h, o show teve início. Um rapaz no violão, outro cantando e marcando o compasso com as mãos e um casal dançando. Apenas isso. E durante pouco mais de uma hora isso foi o suficiente para nos transportar ao mundo emocionante do flamenco! Fiquei encantada! Chorei durante boa parte da apresentação e, quando eu olhei para o lado, só vi as pessoas enxugando as lágrimas também. Que música linda! Que dança forte! Era exatamente aquele tipo de show intimista e tocante que eu queria e esperava assistir em Sevilha. Até porque esta sempre foi a cidade que, para mim, reunia todo o arquétipo do que é ser espanhol! E ela não me decepcionou, muito pelo contrário, saí de lá muito feliz! E fui dormir leve, leve, ainda ouvindo, nos meus sonhos, aquela melodia emocionante do flamenco! 
Até a próxima!

VIAGEM REALIZADA EM JANEIRO DE 2016

sábado, 23 de abril de 2016

Sevilha: onde árabes e cristãos creem no mesmo deus

Hola, amigos!

Acordei cedo! Não via a hora de explorar essa cidade tão bonita que eu tinha conhecido no dia anterior.  Sevilha me esperava lá fora mas antes eu precisava abastecer as energias no delicioso café da manhã oferecido pelo albergue (e que fazia parte da diária).
O primeiro ponto que eu queria visitar era o Real Alcazar, o palácio onde a família real fica, até hoje, quando visita a cidade.


Sevilha  foi conquistada pelos árabes em 713 e a arquitetura mourisca do Real Alcazar mostra isso muito bem. O melhor é que, na Andaluzia, assim como em Veneza, essas construções foram preservadas mesmo após a queda de Constantinopla quando o mundo passou a ser cristão. Acho mesmo que eles não tiveram foi coragem de acabar com algo tão belo. Os detalhes do teto, as pinturas das paredes, os azulejos das escadas, os jardins tão arrumadinhos. Como destruir tanta beleza?  Eles apagaram a história e a cobriram com a história cristã, mas a arquitetura, para nossa felicidade, foi mantida!






Passei quase 4 horas lá dentro, fotografando tudo o que eu podia e, acreditem, as fotos não chegam nem perto do impacto que se tem diante de toda aquela grandiosidade. A estrutura lá dentro é bem bacana para o turista: tem banheiros limpos, um restaurante e uma cafeteria. Na saída, há uma lojinha com diversas lembrancinhas fofas. Um pouco caras, mas há presentes bem originais que valem o preço.
Saindo do Real Alcazar, fui à Catedral, que, por fora é simplesmente DESLUMBRANTE, mas que me pareceu um tanto escura dentro, embora seja igualmente grandiosa, afinal ainda ostenta o título de maior catedral gótica do mundo. Ela começou a ser construída por volta de 1400, no lugar onde havia uma mesquita. O órgão é de cair o queixo de tão lindo e diz a lenda que lá estão guardados os restos mortais de Cristóvão Colombo, de quem os sevilhanos têm enorme orgulho, já que teria sido de lá que o navegador teria saído para descobrir a América.









O órgão de cair o queixo

Túmulo de Colombo

Altar da catedral
Dentro da Catedral há um acesso para a Giralda, que nada mais é que o campanário da Igreja. Ela mede pouco mais de 104 metros de altura e foi transformada em patrimônio da humanidade pela UNESCO em 1987. São 34 pequenas rampas para subir, mas a medida que se vai subindo, já dá para se ter, através de suas aberturas, uma ideia de como a cidade é espantosamente linda! Quando a Giralda foi construída, ela era a construção mais alta da sua época e foram feitas rampas, no lugar de escadas, para que o encarregado de chamar os fiéis para a oração através dos sinos, pudesse subir a cavalo.
A vista lá de cima é tão deslumbrante que, para mim, só pode ser comparada à vista do campanário de Veneza. É verdade que, a essas alturas, eu já estava perdida de amores por Sevilha, mas acho impossível um ser humano, minimamente normal, não se encantar diante de tamanha beleza. Nem sei quanto tempo fiquei lá em cima clicando, clicando e clicando. E depois desse tempo, fiquei outro tanto apenas observando, apenas sentindo aquela paisagem diante dos meus olhos, quase em êxtase.
Desci as rampas como uma criança saltitante na floresta, feliz de ter desfrutado daquele momento especial, ainda mais  porque, quando eu estava lá em cima, os sinos começaram a tocar, tal qual como aconteceu em Veneza.


Saindo da catedral e ainda extasiada com tudo o que eu tinha visto, fui andando até as margens do rio Guadalquivir, ponto de interseção entre o Mediterrâneo e o Atlântico e onde Sevilha teve um dos mais importante portos do mundo. É ali que está uma importante torre mourisca, construída em 1221, chamada Torre del Oro. O nome se deve aos seus azulejos dourados   da fachada. No interior há um museu naval com gravuras de Sevilha do século XVI, além de réplicas em miniatura das mais famosas caravelas de Colombo: Santa Maria, Pinta e Niña. São pouco mais de 100 degraus para se chegar ao topo e a vista vale a pena!






Saindo de lá, já estava cansada e, a essas alturas morrendo de fome também, então resolvi ir a um restaurante de tapas chamado Genova, que fica na Avenida de la Constitución, bem perto da Catedral, em frente ao Starbucks. O lugar é delicioso e tem um cardápio com tapas bem diferentes e baratos. Comi muito bem por menos de 15 euros, incluindo a bebida.




Voltei andando para o albergue e observando as belas vitrines da cidade. 
Questões práticas: (os horários colocados aqui são de inverno, portanto, podem sofrer alterações no verão)
·         O Real Alcazar abre de segunda a domingo, de 9h30 às 17h e o ingresso custa 9,50 euros. 
·         A Catedral + Giralda abrem de terça a sábado, de 11h às 18h e domingo de 14h30 às 18h e o ingresso custa 9 euros (válido para entrar nas duas).
·         A Torre del Oro abre de segunda a domingo de 10h30 às 18h45 e o ingresso custa 3 euros.    

VIAGEM REALIZADA EM JANEIRO DE 2016