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sábado, 23 de abril de 2016

Sevilha: onde árabes e cristãos creem no mesmo deus

Hola, amigos!

Acordei cedo! Não via a hora de explorar essa cidade tão bonita que eu tinha conhecido no dia anterior.  Sevilha me esperava lá fora mas antes eu precisava abastecer as energias no delicioso café da manhã oferecido pelo albergue (e que fazia parte da diária).
O primeiro ponto que eu queria visitar era o Real Alcazar, o palácio onde a família real fica, até hoje, quando visita a cidade.


Sevilha  foi conquistada pelos árabes em 713 e a arquitetura mourisca do Real Alcazar mostra isso muito bem. O melhor é que, na Andaluzia, assim como em Veneza, essas construções foram preservadas mesmo após a queda de Constantinopla quando o mundo passou a ser cristão. Acho mesmo que eles não tiveram foi coragem de acabar com algo tão belo. Os detalhes do teto, as pinturas das paredes, os azulejos das escadas, os jardins tão arrumadinhos. Como destruir tanta beleza?  Eles apagaram a história e a cobriram com a história cristã, mas a arquitetura, para nossa felicidade, foi mantida!






Passei quase 4 horas lá dentro, fotografando tudo o que eu podia e, acreditem, as fotos não chegam nem perto do impacto que se tem diante de toda aquela grandiosidade. A estrutura lá dentro é bem bacana para o turista: tem banheiros limpos, um restaurante e uma cafeteria. Na saída, há uma lojinha com diversas lembrancinhas fofas. Um pouco caras, mas há presentes bem originais que valem o preço.
Saindo do Real Alcazar, fui à Catedral, que, por fora é simplesmente DESLUMBRANTE, mas que me pareceu um tanto escura dentro, embora seja igualmente grandiosa, afinal ainda ostenta o título de maior catedral gótica do mundo. Ela começou a ser construída por volta de 1400, no lugar onde havia uma mesquita. O órgão é de cair o queixo de tão lindo e diz a lenda que lá estão guardados os restos mortais de Cristóvão Colombo, de quem os sevilhanos têm enorme orgulho, já que teria sido de lá que o navegador teria saído para descobrir a América.









O órgão de cair o queixo

Túmulo de Colombo

Altar da catedral
Dentro da Catedral há um acesso para a Giralda, que nada mais é que o campanário da Igreja. Ela mede pouco mais de 104 metros de altura e foi transformada em patrimônio da humanidade pela UNESCO em 1987. São 34 pequenas rampas para subir, mas a medida que se vai subindo, já dá para se ter, através de suas aberturas, uma ideia de como a cidade é espantosamente linda! Quando a Giralda foi construída, ela era a construção mais alta da sua época e foram feitas rampas, no lugar de escadas, para que o encarregado de chamar os fiéis para a oração através dos sinos, pudesse subir a cavalo.
A vista lá de cima é tão deslumbrante que, para mim, só pode ser comparada à vista do campanário de Veneza. É verdade que, a essas alturas, eu já estava perdida de amores por Sevilha, mas acho impossível um ser humano, minimamente normal, não se encantar diante de tamanha beleza. Nem sei quanto tempo fiquei lá em cima clicando, clicando e clicando. E depois desse tempo, fiquei outro tanto apenas observando, apenas sentindo aquela paisagem diante dos meus olhos, quase em êxtase.
Desci as rampas como uma criança saltitante na floresta, feliz de ter desfrutado daquele momento especial, ainda mais  porque, quando eu estava lá em cima, os sinos começaram a tocar, tal qual como aconteceu em Veneza.


Saindo da catedral e ainda extasiada com tudo o que eu tinha visto, fui andando até as margens do rio Guadalquivir, ponto de interseção entre o Mediterrâneo e o Atlântico e onde Sevilha teve um dos mais importante portos do mundo. É ali que está uma importante torre mourisca, construída em 1221, chamada Torre del Oro. O nome se deve aos seus azulejos dourados   da fachada. No interior há um museu naval com gravuras de Sevilha do século XVI, além de réplicas em miniatura das mais famosas caravelas de Colombo: Santa Maria, Pinta e Niña. São pouco mais de 100 degraus para se chegar ao topo e a vista vale a pena!






Saindo de lá, já estava cansada e, a essas alturas morrendo de fome também, então resolvi ir a um restaurante de tapas chamado Genova, que fica na Avenida de la Constitución, bem perto da Catedral, em frente ao Starbucks. O lugar é delicioso e tem um cardápio com tapas bem diferentes e baratos. Comi muito bem por menos de 15 euros, incluindo a bebida.




Voltei andando para o albergue e observando as belas vitrines da cidade. 
Questões práticas: (os horários colocados aqui são de inverno, portanto, podem sofrer alterações no verão)
·         O Real Alcazar abre de segunda a domingo, de 9h30 às 17h e o ingresso custa 9,50 euros. 
·         A Catedral + Giralda abrem de terça a sábado, de 11h às 18h e domingo de 14h30 às 18h e o ingresso custa 9 euros (válido para entrar nas duas).
·         A Torre del Oro abre de segunda a domingo de 10h30 às 18h45 e o ingresso custa 3 euros.    
                         VIAGEM REALIZADA EM JANEIRO DE 2016


quinta-feira, 21 de abril de 2016

A Sevilha de João Cabral agora é minha também!

Hola, amigos!
Desculpem por toda essa ausência. É que ando meio sumida por conta dos novos rumos da minha vida, mas voltei para continuar a narração da minha viagem.
Saí de Madri após o café da manhã. Na estação Atocha-Renfe peguei o AVE em direção a Sevilha, capital da região da Andaluzia. São 2h30 de viagem em um trem bastante confortável. Viagem bem tranquila e céu azul lá fora. Ao chegar na estação Sevilha-Santa Justa (que é bem simpática), peguei a saída central. Bem em frente, passando o estacionamento, há um ponto de ônibus, onde peguei o ônibus 32 em direção a Plaza del Duque. Essa praça é o ponto final e são mais ou menos 15 minutos até lá, passando por ruelas estreitas, outras nem tanto e alguns lugares que eu já havia visto em fotos. Eu estava me encantando, pouco a pouco, por Sevilha mas ainda não tinha me dado conta.


Fiquei hospedada em um hostel chamado Nuevo Suizo, na calle Azofaifo, que é, na verdade, um bequinho sem saída, transversal a calle Sierpes. Super fácil de chegar a partir da Plaza del Duque.  Fiquei em um quarto individual com banheiro e gostei muito da decoração do albergue. O melhor é que o recepcionista era brasileiro e carioca, como eu.
Depois de me instalar, resolvi passear para reconhecer a área. E a cada passo que eu dava, era uma foto nova; a cada nova rua, um novo encantamento. Que cidade linda!!! Eu jamais imaginei que fosse amar tanto uma cidade, arquitetonicamente, como eu amava Veneza, mas ali em meio a laranjeiras, a construções de mais de 600 anos, a tantas culturas e religiões misturadas e, ao mesmo tempo, tão harmônicas, eu não pude conter o sorriso e as lágrimas. Estava apaixonada!


E como se só a arquitetura não fosse suficiente para me deixar feliz, andando pelas ruas, ainda dei de cara com um casal fazendo um pequeno show de flamenco na rua. Que delícia ver aquele espetáculo sentada ali no meio fio, numa tarde de inverno, com céu azul e sol! Pois é, sol! Porque, de todas as cidades que visitei nessa minha viagem, Sevilha era a mais quente. Fazia uns 15 graus, o que é  considerado bem alto para janeiro na Europa.




Depois de rodar umas 3 horas pelas ruas coloridas da cidade, resolvi almoçar em um dos pequenos restaurantes que rodeiam a catedral. E  naquele momento, sentada em frente à belíssima Catedral com sua Giralda, ouvindo um violão doloroso e solitário ao fundo, compreendi a frase de João Cabral de Mello Neto: “No hay que cilvilizar el mundo, hay que sevillizar el mundo!”


VIAGEM REALIZADA EM JANEIRO DE 2016