domingo, 22 de agosto de 2010

Nápolis e Pompeia, um passeio pela história

Ciao, amigos!

Ontem fiz um passeio bem divertido! Fui à Pompeia, aquela cidade que foi devastada pelo Vesúvio em 79 d.C.
É que meu hotel tinha um convênio com uma companhia de viagens e fazia a excursão pra lá, então, como eu não estava gostando de Roma mesmo, resolvi ir. Foi ótimo! A primeira parada é em Nápolis, uma cidade balneária que foi colonizada pelos gregos, tanto que seu nome vem de “Nea Polis” (nova cidade). Ali tiramos umas fotos e tivemos uma bela visão do Vesúvio (cujo nome significa “montanha que cospe fogo”).



Seguimos com o ônibus para Pompeia, mas antes de visitarmos as ruínas, paramos para almoçar em um restaurante chamado “Santuário”com uma comida deliciosa, com direito a primeiro prato (macarrão a bolognesa); segundo prato (vitela com legumes) e sobremesa (melão cortado em fatias). Já abastecidos fomos ver a parte mais esperada do passeio: as ruínas de Pompeia! Tínhamos um guia local, muito simpático, que falava espanhol e ia nos explicando tudo com muita paciência.
Descobri que a cidade tinha, na época, 13 mil habitantes, dos quais cerca de 3 mil morreram com as cinzas expelidas pelo vulcão. Sim, porque o que matou aquela gente não foi a lava (esta sepultou a cidade de Herculano) e sim as cinzas e os gases provenientes da nuvem piroclástica formada pela erupção do Vesúvio.
As escavações em Pompeia começaram no ano de 1748 e ali encontraram 7 metros de cinzas. Tanto que a entrada é por algo que deveria ser uma janela, visto que está a 7 metros acima do nível da cidade.


Foi impressionante visitar o que sobrou daquela cidade que, segundo nosso guia, foi extremamente rica. Ele foi nos mostrando o teatro que tinha uma acústica perfeita e cabia 12 mil pessoas sentadas...


...As casas de pessoas abastadas, com afrescos nas paredes. Descobri que, em Pompeia, uma das coisas que as pessoas ricas gostavam de fazer para se divertirem era comer. E comer muito! Por isso, dentro das casas dessas pessoas, existia um espaço ao lado da sala de jantar chamado “vomitório”, afinal o estômago humano tem um limite e como eles passavam o dia em volta da mesa comendo, tinham que fazer caber toda aquela comida.



Também descobri que Pompeia era quase uma cidade como Sodoma e Gomorra (será que por isso ela foi banida do mapa pelo vulcão? Seria a ira de Deus?) e uma das atividades principais das mulheres era a profissão mais antiga do mundo. Visitamos um prostíbulo e vimos afrescos nas paredes que deixariam o Kama Sutra no chinelo! Impressionante!


Vimos também um local que, originalmente, era um templo e que deveriam ter várias estátuas, pois sobraram os pedestais. O guia nos contou que 10 mil pessoas sobreviveram ao vulcão, mas precisavam reconstruir sua cidade, então,passado algum tempo, elas voltaram à Pompeia para pegar o que havia sobrado e levaram consigo as estátuas que, embora fossem obras de arte (e eles sabiam bem o valor da arte), eram feitas de mármore e o mármore aquecido a 400 graus vira pó de cal, a base para a construção de novas casas. Foi assim que as obra de arte pompeanas viraram novas casas no que é conhecido hoje como “Nova Pompeia”.


Ao longo do passeio fomos descobrindo hábitos comuns aos habitantes de Pompeia, como por exemplo, quando queriam escovar os dentes eles usavam uma mistura de pó de pedra pome com urina (não existia pasta de dente naquela época!), depois para desinfetar a boca, lavavam-na com uma mistura de água, vinho e mel.
Descobrimos também que o hábito de abrir a porta para dentro de casa foi criado ali, pois o espaço público terminava na soleira da porta, dali para dentro era espaço privado, logo, abrir a porta para dentro significava não pagar impostos. E os pompeanos já tinham até um sistema de porta de correr. Bem evoluídos!
No fim da visita chega-se ao ponto mais macabro e mais triste: os corpos preservados. A história é a seguinte: Quando começaram as escavações, em 1748, acharam ali quase 3 mil corpos preservados pelas cinzas, contudo, a medida que eles iam entrando em contato com o ar, iam se decompondo, já que não havia mais material orgânico dentro dos corpos. E ao se decomporem iam perdendo a forma original em que foram encontrados. Em 1800, um cientista chamado Fiorelli teve a brilhante ideia de injetar gesso líquido dentro dos corpos, assim conseguiria preservá-los na posição original. É isso o que vemos hoje. São corpos, mas com gesso dentro. Por isso são chamados de moldes. É uma visão impressionante, principalmente quando se percebe que alguns tinham a exata noção do que aconteceria com eles, pois estavam com as mãos na frente do nariz e da boca, como que querendo se proteger da inalação dos gases. Muito triste.



Depois ainda vistamos a termas com um incrível sistema para a condensação de água nas paredes e o passeio termina.



Voltamos no ônibus até perto do hotel. Cerca de 3 horas de viagem. Dali ainda saí com a Beatriz,, uma brasiliense que conheci na excursão e fomos dar uma última volta por Roma para vê-la iluminada. Não vi muita graça, não, mas de qualquer modo, foi um dia realmente divertido! Com muita história e muitas coisas diferentes para ver! Gostei de ter ido a Pompeia, foi um dinheiro bem gasto! Cheguei ao hotel tarde, tomei um banho e caí na cama, pois hoje teria de acordar cedo para fazer o check-out e me dirigir a Cinque Terre. Nesse momento em que escrevo esse post, estou no trem a caminho de La Spezia, onde farei uma baldeação até Riomaggiore, a primeira das cinco terras que irei visitar. Vou passar apenas dois dias lá em um apartamento alugado e espero que seja o mais próximo possível do que eu planejei. Provavelmente não terei internet por lá e vocês estarão lendo esse post na segunda, quando eu já estiver em Paris.

Arrivederci!

VIAGEM REALIZADA EM AGOSTO DE 2010

2 comentários:

Rafinha disse...

Realmente é macabro essas expressões dos mortos. Imagino o banho de cultura que foi ter ido à Pompéia.

Anônimo disse...

Quanto custa em média uma viagem Roma Pompéia?
Gostei muito doseu comentário e das fotos.